Washington — O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apresentou desculpas oficiais ao Qatar pelo ataque aéreo a Doha, que resultou na morte de um militar daquele país. O pedido ocorreu durante uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
Segundo um comunicado divulgado pela presidência norte-americana, Netanyahu lamentou que a operação militar, dirigida contra líderes do Hamas, tenha atingido um cidadão do Qatar e violado a soberania do Estado. O chefe do governo israelita assegurou ainda que situações semelhantes não voltarão a repetir-se. O ataque, realizado a 9 de setembro, provocou também a morte de cinco membros de baixa patente do grupo palestiniano.
A ofensiva israelita contra o território qatari, um mediador chave nas negociações de cessar-fogo, gerou forte condenação internacional. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou o incidente como uma “violação flagrante” da soberania do país.
Durante a mesma conferência, Donald Trump afirmou que Israel e Estados Unidos estão “muito próximos” de alcançar um acordo de paz que ponha fim à guerra na Faixa de Gaza, em curso desde outubro de 2023. “Acredito que estamos a chegar a um momento histórico”, declarou o presidente norte-americano, destacando que já existe um plano em discussão com 20 pontos principais.
Entre as medidas propostas está a criação de um conselho de administração transitório para Gaza, liderado por Trump e que incluiria o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair. O plano prevê ainda a retirada gradual das tropas israelitas, condicionada ao desarmamento do Hamas e à entrada de uma força de segurança internacional.
Outros pontos centrais incluem a libertação imediata de reféns detidos pelo Hamas, em troca da libertação de prisioneiros palestinianos em Israel, e a entrada de ajuda humanitária por intermédio de organizações internacionais como a ONU e o Crescente Vermelho.
Apesar das declarações otimistas de Trump, não ficou claro se o Hamas aceitará a proposta. Fontes ligadas ao movimento confirmaram que foram informadas sobre o plano, mas ainda aguardam uma posição formal dos mediadores do Qatar e do Egito.
A guerra, que já dura quase dois anos, começou após um ataque do Hamas contra o sul de Israel em outubro de 2023, que causou a morte de cerca de 1.200 pessoas e o sequestro de 251 reféns. Desde então, a ofensiva israelita resultou em mais de 66 mil mortos em Gaza, a maioria mulheres e crianças, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave, administrado pelo Hamas.

