Nova Iorque — Onze países anunciaram esta sexta-feira a criação de uma coligação internacional de emergência para financiar a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), numa altura em que a instituição enfrenta uma crise económica sem precedentes.
A iniciativa, que envolve Bélgica, Dinamarca, França, Islândia, Irlanda, Japão, Noruega, Arábia Saudita, Eslovénia, Espanha, Suíça e Reino Unido, tem como objetivo reforçar a capacidade da ANP para governar, prestar serviços básicos e garantir a segurança nos territórios palestinianos.
O anúncio surge após a intervenção do presidente palestiniano, Mahmud Abbas, na Assembleia Geral da ONU, onde afirmou que a Autoridade Palestiniana está preparada para assumir o controlo total da Faixa de Gaza quando terminar a atual guerra, deixando claro que o Hamas não terá qualquer papel no futuro governo.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol, os países envolvidos já realizaram “importantes contribuições financeiras” e comprometeram-se a manter um apoio sustentado, transparente e coordenado, em articulação com instituições internacionais.
Na mesma declaração, os ministros dos Negócios Estrangeiros apelaram a Israel para libertar imediatamente as receitas fiscais palestinianas e suspender medidas que enfraqueçam a ANP.
Grupo de Haia propõe medidas contra impunidade de Israel
Em paralelo à iniciativa financeira, mais de 30 países reuniram-se em Nova Iorque no âmbito do Grupo de Haia, uma coligação que procura definir um plano de ação contra a impunidade de Israel na Faixa de Gaza.
O encontro, realizado à margem da Assembleia Geral da ONU, contou com representantes de países como Turquia, Catar, Brasil, México, Noruega e Arábia Saudita. Entre as medidas propostas estão o embargo de armas a Israel, a proibição de escalas portuárias para navios com material bélico, a revisão de contratos com entidades que apoiam a ocupação e até a possibilidade de um embargo energético.
A Colômbia e a África do Sul, que lideram a iniciativa, defenderam que as ações devem ter caráter vinculativo, sustentando-se em convenções internacionais, resoluções da ONU e pareceres do Tribunal Penal Internacional.
O embaixador palestiniano na ONU, Riyad Mansour, considerou a reunião um possível “ponto de viragem” no esforço internacional para responsabilizar Israel, sublinhando que a justiça é essencial para o povo palestiniano.
Médicos Sem Fronteiras suspendem operações em Gaza
Enquanto isso, a situação humanitária em Gaza continua a deteriorar-se. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou a suspensão das suas atividades na Cidade de Gaza, após as suas clínicas terem sido cercadas pelas forças israelitas.
“Não tivemos alternativa senão suspender o trabalho. Era a última coisa que queríamos, porque as necessidades médicas em Gaza são enormes”, explicou Jacob Granger, coordenador de emergência da MSF.
Segundo a organização, centenas de milhares de civis permanecem na Cidade de Gaza, apesar das ordens de evacuação israelitas, sem possibilidade de fugir para o sul do território.

