Nova Iorque – O Presidente da República de Angola e Presidente em exercício da União Africana (UA), João Lourenço, defendeu esta segunda-feira, em Nova Iorque, a centralidade da saúde como pilar do desenvolvimento humano e da soberania dos povos africanos.
Ao intervir na reunião do Comité de Chefes de Estado e de Governo dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC), realizada à margem da 80.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Chefe de Estado destacou o compromisso dos 55 países membros da organização em fortalecer os sistemas de saúde, em linha com a Agenda de Lusaka, e acelerar a produção local de vacinas.
João Lourenço sublinhou que o continente tem de assumir uma visão clara e unificada sobre segurança sanitária, consolidando o papel do África CDC como agência técnica especializada, responsável pela prevenção, deteção precoce e resposta eficaz às ameaças de saúde pública. Alertou que epidemias e pandemias, como a Covid-19, o ébola e a cólera, demonstraram que nenhum país consegue enfrentar sozinho crises desta dimensão.
Entre os pontos centrais do seu discurso, o Presidente enfatizou a necessidade de financiamento sustentável, lembrando que os líderes africanos aprovaram em Adis Abeba, no início deste ano, a visão “Repensar o Financiamento da Saúde em África numa Nova Era”, que apela ao reforço de mecanismos internos, como o Fundo Africano para Epidemias e o Mecanismo de Compras Conjuntas. Angola e a República Democrática do Congo já investiram cinco milhões de dólares nesse fundo.
Outro eixo estratégico apontado foi o aumento da capacidade de produção de medicamentos e vacinas no continente. O objetivo, segundo João Lourenço, é que até 2040 pelo menos 60% dos produtos de saúde consumidos em África sejam produzidos localmente. Para isso, defendeu a harmonização de marcos regulatórios, incentivos ao setor privado e a integração dessa agenda nas políticas nacionais.
O Presidente citou ainda avanços registados em Angola, como a promoção da indústria farmacêutica, a construção do Laboratório Nacional de Controlo de Qualidade de Medicamentos e a expansão da rede laboratorial, que inclui a criação de centros nacionais e provinciais de operações de emergência em saúde pública.
João Lourenço lembrou também que África é uma das regiões mais vulneráveis às alterações climáticas, sendo já afetada por surtos de doenças associados a inundações, secas e conflitos armados. Nesse sentido, elogiou a cooperação com a OMS, a GAVI, o Fundo Global e o Fundo Pandémico, mas apelou a maior autonomia do continente.
O estadista concluiu com um apelo aos Chefes de Estado e de Governo africanos para reforçarem o financiamento e a capacidade do África CDC, sublinhando a importância da sua liderança no esforço coletivo pela segurança sanitária e pela melhoria da qualidade de vida das populações.

