Luanda – A 17.ª edição da Cimeira Empresarial EUA–África, que decorreu em Luanda de 22 a 25 de junho, resultou na formalização de acordos e promessas de investimento que ultrapassam os 2,5 mil milhões de dólares. A informação foi confirmada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, destacando o reforço do papel de Angola como um dos centros económicos e logísticos mais relevantes da África Austral e Central.
O evento contou com a presença de mais de 2.700 participantes, incluindo 12 Chefes de Estado africanos e representantes de alto nível do setor privado. Organizado em conjunto pelo Corporate Council on Africa e pelo Governo angolano, esta foi a edição com maior participação desde a criação da cimeira.
A iniciativa centrou-se no fortalecimento das relações comerciais e na promoção de investimentos diretos em áreas estratégicas como energia, transportes, agricultura, turismo e tecnologias digitais.
Entre os principais projetos anunciados está a construção de 22 terminais de silos de cereais ao longo do Corredor do Lobito, liderado por um consórcio encabeçado pela empresa americana Amer-Con Corporation, em parceria com a Agência Angolana de Certificação Logística. O financiamento conta com o apoio do EXIM Bank e tem como objetivos melhorar a segurança alimentar e facilitar o escoamento da produção agrícola em Angola e países vizinhos.
Outro destaque é o acordo no setor das tecnologias digitais e da cibersegurança, no qual a empresa norte-americana Cybastion estabeleceu uma parceria de 170 milhões de dólares com a Angola Telecom. O projeto prevê o reforço da infraestrutura digital e o desenvolvimento de competências locais na área da segurança cibernética.
No setor energético, a empresa Hydro-Link comprometeu-se com um investimento estimado em 1,5 mil milhões de dólares para a construção de uma linha de transmissão elétrica de 1.150 km, ligando as centrais hidroelétricas de Angola à região mineira de Kolwezi, na República Democrática do Congo, garantindo 1,2 GW de energia para apoiar o setor mineiro regional.
Outros investimentos anunciados incluem 200 milhões de dólares para o desenvolvimento do turismo de luxo na Etiópia, um terminal de gás natural liquefeito (GNL) na Serra Leoa e um projeto hidroelétrico transfronteiriço no valor de 760 milhões de dólares entre o Ruanda e a RDC.
O governo norte-americano destacou que estas iniciativas estão em consonância com a sua Estratégia de Diplomacia Comercial para África, baseada no princípio de fomentar o comércio em detrimento da ajuda externa. O objetivo é consolidar parcerias económicas mais equilibradas, tratando os países africanos como aliados estratégicos e não apenas como beneficiários de apoio internacional.
A delegação dos EUA, liderada por Troy Fitrell, contou com representantes de instituições como a DFC, USTDA, EXIM e o Gabinete do Representante de Comércio, sublinhando a relevância estratégica atribuída à cimeira.
Ao protagonizar dois dos principais acordos assinados e acolher o evento, Angola reforça a sua influência regional, sobretudo através do desenvolvimento do Corredor do Lobito e da sua interligação energética com a RDC. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, esses avanços não apenas consolidam Angola como um polo logístico e energético na região, como também elevam o Presidente João Lourenço a uma posição de destaque nas relações entre África e os Estados Unidos, num cenário global em transformação.

