O cenário político e social de Moçambique continua a atrair atenção internacional. Nesta sexta-feira (27), em Maputo, o enviado especial do Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa entregou ao Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, uma mensagem que reforça a necessidade de resolver os conflitos internos de forma pacífica. Em paralelo, Daniel Chapo, Presidente eleito, pediu união e condenou a violência que marca os últimos eventos no país.
Durante o encontro com Nyusi, o enviado sul-africano, Sydney Mufamadi, destacou a urgência de superar a crise por meio do diálogo. Segundo Mufamadi, o Presidente Ramaphosa enfatizou que a cooperação entre os países é essencial para aliviar o “fardo pesado” que a violência representa.
Nyusi, por sua vez, agradeceu o apoio da África do Sul e reiterou o compromisso mútuo com a paz e o desenvolvimento regional. Ele reconheceu os impactos econômicos da violência em ambos os países, destacando a necessidade de soluções conjuntas.
Em sua primeira declaração pública após ser considerado vencedor das eleições presidenciais pelo Conselho Constitucional, Daniel Chapo expressou pesar pelos atos de violência e pediu união nacional. Ele prometeu que, ao assumir a presidência em janeiro, trabalhará para ser o “Presidente de todos os moçambicanos”.
“Vamos, a breve trecho, trabalhar juntos em soluções para os problemas gerados por esta triste situação”, afirmou Chapo em comunicado. Ele criticou os atos de vandalismo que, segundo ele, apenas agravam os desafios econômicos do país.
Além disso, Chapo prestou condolências às famílias das vítimas da violência recente, que, segundo dados da plataforma Decide, já resultou em 261 mortos e centenas de feridos. “Moçambique não pode se dar ao luxo de perder vidas humanas tão necessárias para o desenvolvimento do país”, declarou.
Chapo prometeu priorizar a recuperação econômica e a renovação do país, elogiando os cidadãos que ajudaram a restaurar a ordem e as forças de segurança por sua atuação. Ele se comprometeu a combater a polarização política e a promover um ambiente de estabilidade.
“Estes atos apenas contribuem para o declínio do país e para o aumento do desemprego e da pobreza”, alertou. O Presidente eleito destacou que a reconstrução econômica será essencial para devolver a confiança ao povo moçambicano.
Desde o início da crise em outubro, a violência tem impactado profundamente a sociedade moçambicana, com mais de 4 mil pessoas detidas e inúmeros danos a propriedades públicas e privadas. O clima de instabilidade levanta preocupações sobre o futuro do país e destaca a importância de iniciativas concretas para restaurar a paz.
Com os apelos por paz e os compromissos de reconstrução econômica, Moçambique vive um momento decisivo. Resta observar como os líderes nacionais e internacionais trabalharão juntos para enfrentar os desafios e criar um futuro mais estável para o país.