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Linguísta Estêvão Ludi defende sinergias entre ministérios da Educação e da Cultura para implementação das línguas nacionais no ensino primário

Linguísta Estévão Ludi defendeu nesta quinta-feira, em Luanda, a junção de sinergias entre os ministérios da Educação e da Cultura para uma melhor implementação das Línguas Nacionais nas escolas do ensino primário em Angola.

by REDAÇÃO

As declarações do linguista surgem numa altura em que faltam poucos dias para o arranque do ano lectivo 2026/2027, mais de 12 meses desde o interregno da medida de inserção das línguas nacionais nas escolas do país, conforme anunciara a então ministra da Educação, Luísa Grilo.

Estévão Ludi começou por criticar a implementação faseada, em algumas escolas da Juíza, de Cabinda, Luanda e do Icolo e Bengo, ao invés de generalizada em todo o território nacional. Esta efectivação, acrescentou, passaria pela aprovação de um documento reitor, para todo o sistema de ensino no país.

“Da parte do Ministério que gere o Ensino, estamos a espera que haja um documento que diga que a partir de agora as línguas nacionais estão neste momento incluídas no processo de ensino”, disse, sublinhando a necessidade da actualização do currículo de ensino das línguas nacionais.
“Como vê a inclusão das línguas será necessária aquilo que é a estrutura do currículo”, disse quando falava à Rádio Essencial.

Mestre em língua e literatura em Língua portuguesa, lembra que o problema da implantação das línguas nacionais no ensino primário está, sobretudo, relacionado com incapacidade técnica e operacional, visto que do ponto de vista da vontade política existem instrumentos jurídicos já aprovados pelo executivo.

Para a execução, Estévão Ludi defende que é preciso “procurar pessoas que trabalham na área, não só Linguistas, mas também aquelas pessoas que são formadas pelo ISCED, em linguística”, tendo lembrado que o Instituto Nacional de Línguas produziu documentos em colaboração com uma instituição sulafricana, mas que vieram com erros, o que inviabilizou a sua utilização no ensino primário.

Disse ainda que os manuais deviam ter sido escrito em Línguas Nacionais e não em Português para posterior tradução nas Línguas Nacionais. Para isso, entende que devem antes serem preparadas gramáticas em Línguas nacionais. “Quadros há, mas não há materiais para isso, é disso que nós precisamos”, disse.

Apontou também a problemática das exonerações do titular da pasta ministerial, como outro factor de atraso da implantação, por isso entende que os sucessores devem dar continuidade, ao invés de “por se de parte” e traçar novo plano.

Estévão Ludi sugere por isso que o Ministério da Educação deve trabalhar em colaboração com o Ministério da Cultura, sobretudo pelo facto deste departamento ministerial conhecer melhor as regras.

Segundo o também docente universitário, a não implementação do ensino das Línguas Nacionais está a prejudicar os alunos.

“A não concretização deste processo tem prejudicado muito naquilo que é o processo de ensino. Mesmo para a própria aprendizagem da língua portuguesa, a nossa realidade demonstra que muitos dos estudantes têm debilidades, não apenas no interior, como também nas grandes cidades”, disse justificando que a forma como é ensinada não é a mais adequada.

“Em muitos contextos, até mesmo cá na cidade, a língua portuguesa não devia ser ensinada como língua primeira, seria como língua segunda, porque muitos têm como primeira uma língua nacional. Ali ao ensinar o português como língua primeira, o aluno faz um triplo esforço para compreender as regras da gramática de língua portuguesa”, rematou.

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