Zamboye — Pelo menos 100 pessoas morreram na sequência do deslizamento de terra ocorrido numa mina artesanal de ouro em Zamboye, no oeste da República Centro-Africana. As autoridades locais alertam, contudo, que o número de vítimas poderá aumentar.
O acidente aconteceu na terça-feira, na subprefeitura de Nana-Mambéré, região de Abba, próxima da fronteira com os Camarões. A informação foi avançada por autoridades locais e testemunhas citadas pela agência espanhola EFE.
Segundo Souleymane Bi, vice-presidente da Câmara de Zamboye, a exploração funcionava de forma artesanal e fora das normas de segurança. O responsável explicou que os mineiros costumavam escavar poços profundos em busca de ouro, aumentando significativamente o risco de desabamentos.
Testemunhas relatam que o deslizamento ocorreu de forma repentina, acompanhado por fortes ruídos e gritos de socorro. Vários trabalhadores ficaram soterrados, enquanto outros mineiros e moradores tentavam ajudar nos trabalhos de resgate.
Um número ainda não determinado de feridos foi encaminhado para “Bouar”, capital da subprefeitura. Entretanto, as operações de salvamento enfrentam sérias limitações devido à falta de equipamentos e recursos adequados.
Mineiros que sobreviveram ao acidente afirmam que muitas pessoas continuam desaparecidas e que as possibilidades de encontrar sobreviventes diminuem à medida que passam as horas.
O porta-voz do Governo centro-africano, Évariste Ngamana, lamentou profundamente a tragédia e assegurou que as autoridades estão a trabalhar para prestar assistência às vítimas e às famílias afectadas.
O acidente acontece num período de forte expansão da actividade de extracção de ouro na região, que tem atraído um número crescente de jovens em busca de rendimento.
A mineração artesanal na República Centro-Africana continua a enfrentar desafios relacionados com a segurança dos trabalhadores. Todos os anos são registadas mortes provocadas por deslizamentos de terra e por problemas associados à utilização de produtos químicos na extracção do ouro.
A região ocidental do país possui importantes reservas auríferas. Embora a legislação mineira estabeleça regras para a exploração através de cooperativas autorizadas, muitas operações continuam a utilizar métodos artesanais, enquanto algumas desenvolvem actividades semi-mecanizadas ou industriais em parceria com empresas estrangeiras.

