O Presidente do Pelouro das Agências de Viagens e Operadores Turísticos da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e CEO da COTUR, Muhammad Abdullah, considera que os constrangimentos registados actualmente no sector da aviação mundial, provocados por conflitos internacionais e pelo aumento dos custos operacionais, podem abrir espaço para o fortalecimento da aviação africana.
Falando em entrevista ao jornal Diário Independente, durante a abertura da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), em Maputo, Muhammad Abdullah afirmou que as limitações impostas ao sector, incluindo o aumento dos preços e a redução de algumas alternativas de transporte aéreo, têm criado novos desafios para a indústria.
“Esta guerra tem trazido limitações que certamente afectaram o nosso sector da aviação mundialmente. Os preços subiram, algumas alternativas foram cortadas e existe alguma escassez. Contudo, ao acompanharmos o mercado africano, verificamos que é o continente que mais tem crescido no sector da aviação”, afirmou.
Segundo o responsável, os ajustamentos provocados pelos conflitos no Médio Oriente representam uma oportunidade para que a aviação africana assuma um papel mais relevante no cenário internacional, tornando-se uma alternativa competitiva no mercado global.
“É uma grande oportunidade para catapultar aquilo que é a aviação africana. Há espaço para que isso aconteça, existem capacidade e condições para esse crescimento, e os resultados divulgados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) têm vindo a comprovar essa tendência”, acrescentou.
A XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), organizada pela CTA, reúne representantes do Governo, empresários e parceiros de desenvolvimento, constituindo uma das principais plataformas de diálogo público-privado em Moçambique.
Durante o encontro, serão debatidas matérias relacionadas com oportunidades de investimento, produção nacional, exportações, estabilidade macroeconómica e melhoria da confiança dos investidores nacionais e estrangeiros.
O Presidente da República participa no fórum, onde irá acompanhar o painel dedicado ao Diálogo Público-Privado, que vai abordar as reformas económicas e institucionais em curso, com destaque para a redução da burocracia, digitalização dos serviços públicos e medidas de combate à corrupção.
A CASP tem-se afirmado como um espaço estratégico para a definição de políticas destinadas à diversificação da economia moçambicana, fortalecimento da produção interna, criação de emprego e melhoria do ambiente de negócios.

