O Papa Leão XIV iniciou este sábado uma visita oficial a Espanha, a primeira de um pontífice ao país em 15 anos, marcada por mensagens de diálogo, reconciliação e valorização da diversidade cultural. A deslocação, que decorre até 12 de junho, começou em Madrid e inclui ainda passagens por Barcelona, Gran Canária e Tenerife.
Recebido pelos reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, o líder da Igreja Católica foi saudado por milhares de pessoas que se concentraram ao longo das principais avenidas da capital espanhola para acompanhar a passagem do papamóvel.
Na sua primeira intervenção pública em solo espanhol, Leão XIV destacou o papel histórico de Espanha como ponto de encontro entre diferentes culturas, religiões e civilizações. O pontífice defendeu uma maior valorização da pluralidade social e alertou para os riscos das narrativas que alimentam divisões e confrontos na sociedade.
Sem mencionar diretamente forças políticas ou dirigentes, o Papa apelou à superação de discursos polarizadores, defendendo uma abordagem mais equilibrada e aberta à complexidade dos desafios contemporâneos.
Durante o discurso, Leão XIV elogiou também o compromisso espanhol com o multilateralismo e o respeito pelo direito internacional, numa referência interpretada por observadores como um sinal de apoio às posições assumidas por Madrid em diversos conflitos e crises humanitárias internacionais.
A visita decorre num contexto de forte atenção mediática e política. Entre os presentes na cerimónia oficial estiveram antigos chefes de Governo e líderes partidários, embora algumas figuras políticas tenham optado por não participar nos atos protocolares.
Outro dos temas centrais da deslocação será a resposta da Igreja aos casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero. O Vaticano confirmou que Leão XIV manterá encontros com vítimas durante a visita, procurando reforçar o compromisso da Igreja com a justiça, a reparação e o apoio aos afetados.
A agenda inclui ainda visitas a instituições de apoio social, encontros com jovens e uma intervenção histórica perante o Parlamento espanhol, um acontecimento sem precedentes para um pontífice.
Em Barcelona, o Papa deverá presidir a uma celebração religiosa na Basílica da Sagrada Família e participar na inauguração da Torre de Jesus Cristo, considerada uma das etapas mais simbólicas da conclusão do emblemático templo projetado por Antoni Gaudí.
O encerramento da visita acontecerá nas Ilhas Canárias, onde Leão XIV visitará centros de acolhimento de migrantes, reforçando a atenção da Igreja às questões humanitárias e aos desafios da mobilidade internacional.
Segundo estimativas da Conferência Episcopal Espanhola, a visita deverá gerar um impacto económico significativo, impulsionando o turismo e a atividade comercial nas cidades incluídas no roteiro papal.

