A Procuradoria da República da Comarca de Lisboa decidiu reabrir o processo relacionado com o desaparecimento do empresário Américo Sebastião, raptado em Moçambique em 2016, para realizar uma perícia ao computador pessoal da vítima.
A reabertura surge após contestação apresentada por Salomé Sebastião, esposa do empresário, que pediu novas diligências depois de o caso ter sido arquivado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa por falta de competência internacional. A requerente suspeita do possível envolvimento de parceiros de negócios do marido e considera que o equipamento informático pode conter documentos ou imagens que ajudem a identificar os autores do crime.
Segundo despacho do Ministério Público, foi autorizada a análise informática do computador e a eventual apreensão de dados relevantes, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do desaparecimento ocorrido em Nhamapaza, na província de Sofala, em Moçambique.
O empresário foi raptado a 29 de julho de 2016 numa estação de combustível. Após o desaparecimento, os raptores utilizaram cartões bancários da vítima para levantar cerca de quatro mil euros, antes de as contas serem bloqueadas.
No plano diplomático, o então secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, recebeu garantias de cooperação das autoridades moçambicanas após encontros com a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Manuela Lucas, e a vice-ministra do Interior, Helena Kida. Ainda assim, Moçambique não aceitou apoio policial português na investigação.
O caso também chegou às instituições europeias através da eurodeputada Ana Gomes, que o apresentou à então chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, a qual manifestou preocupação com a segurança no país.
Em Portugal, a família reuniu-se com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e com o primeiro-ministro António Costa para solicitar apoio no esclarecimento do desaparecimento do empresário, que tinha 49 anos à data do rapto.

