Cidade da Praia – O Auditório do Tech Park de Cabo Verde acolheu, na tarde de quinta-feira, o lançamento da obra “De Guerrilheiro a Homem de Estado”, livro de memórias do antigo Presidente da República e ex-Primeiro-Ministro Pedro Pires. O evento reuniu diversas figuras da vida política, académica e cultural do país, num momento marcado pela evocação da história recente de Cabo Verde.
A obra revisita o percurso de uma das personalidades mais influentes da vida pública cabo-verdiana, desde a participação na luta de libertação até ao exercício de altas funções de Estado. Ao longo das páginas, o autor reflete, na primeira pessoa, sobre os desafios da liderança, o processo de transição política e a consolidação das instituições democráticas.
A apresentação esteve a cargo do historiador António Correia e Silva e do sociólogo guineense Miguel de Barros, que destacaram a relevância histórica do testemunho e a importância de preservar a memória política como instrumento de compreensão do presente.
Durante a cerimónia, Pedro Pires sublinhou a necessidade de defender a verdade histórica, alertando para o que considera serem tentativas de revisão do passado com o objetivo de atenuar ou branquear o colonialismo. O antigo chefe de Estado evocou igualmente a figura de Amílcar Cabral e de outros combatentes da libertação, recordando o papel desempenhado na construção de um Estado soberano após a independência.
O lançamento coincidiu com o 36.º aniversário do encerramento da reunião do Conselho Nacional do PAICV que decidiu avançar para o multipartidarismo, passo determinante para a realização das primeiras eleições livres em Cabo Verde. Nesse escrutínio, Pedro Pires, então Primeiro-Ministro, foi derrotado por Carlos Veiga.
A escolha da data foi apresentada como simbólica, refletindo uma visão que integra tanto conquistas como derrotas no percurso democrático do país. Ao revisitar a sua trajetória, o antigo Presidente associa a sua história pessoal à construção da nação, defendendo que a memória constitui também um exercício de responsabilidade cívica.
Perante uma plateia que encheu o auditório, Pedro Pires afirmou que as memórias agora publicadas representam uma homenagem às suas origens e aos povos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, com os quais diz manter uma ligação profunda, encerrando a sessão sob aplausos.

