A consultora britânica Oxford Economics reviu em alta a sua previsão para a inflação em Angola este ano, apontando agora para uma subida média dos preços de 13,6%, acima dos 13,2% estimados anteriormente.
Num comentário dirigido aos clientes, os analistas justificam a revisão com a evolução recente dos preços em janeiro e alertam para riscos associados à redução das reservas cambiais do país. Segundo a consultora, a diminuição dessas reservas poderá limitar a capacidade de intervenção do Executivo no mercado cambial, abrindo espaço para uma ligeira desvalorização do kwanza ao longo de 2026.
De acordo com a análise, uma eventual pressão sobre a taxa de câmbio poderá alimentar novas subidas de preços, travando o ritmo de desaceleração da inflação. Ainda assim, a Oxford Economics considera que a tendência geral continuará a ser de descida, apoiada por uma política monetária restritiva, uma relativa estabilidade cambial e efeitos de base favoráveis.
A consultora recorda que os impactos dos cortes nos subsídios aos combustíveis, implementados no ano passado, terão atingido o ponto máximo em setembro de 2025. No entanto, observa que a desaceleração dos preços no sector dos transportes tem vindo a perder intensidade nos últimos meses, o que poderá limitar o ritmo de desinflação.
Apesar da revisão em alta, o nível projetado para 2026 permanece significativamente abaixo dos valores registados nos últimos anos. A inflação em Angola ultrapassou os 30% em 2023 e encerrou 2025 com uma média anual de 20,38%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
No início de fevereiro, o INE anunciou que a taxa de inflação homóloga abrandou para 14,56% em janeiro, menos 1,13 pontos percentuais face a dezembro de 2025 e uma redução de 11,92 pontos percentuais em termos anuais.

