Luanda – A directora-geral de Operações do Banco Mundial, Anna Bjerde, afirmou esta quinta-feira, em Luanda, que os corredores económicos, quando bem governados, contribuem significativamente para a redução dos custos comerciais, a captação de investimentos e a criação de emprego em África.
A responsável falava na sessão de abertura da Reunião Inaugural de Coordenação do Corredor do Lobito, onde sublinhou que estas infra-estruturas desempenham um papel estratégico na integração regional e no crescimento económico sustentável. Segundo Bjerde, existe uma procura crescente por corredores económicos eficientes, tanto em rotas internacionais que ligam a Ásia Central à Europa, como em corredores africanos, a exemplo dos eixos Etiópia-Djibuti e Mombaça-Uganda.
De acordo com a dirigente do Banco Mundial, os corredores económicos promovem a ligação entre pessoas e mercados, fortalecem cadeias de valor, reduzem distâncias económicas e aumentam a capacidade competitiva dos países, permitindo maior integração e diversificação das economias.
No caso específico do Corredor do Lobito, Anna Bjerde apontou três áreas prioritárias para maximizar o seu potencial: investimentos coordenados em infra-estruturas de transporte e logística, aplicação de investimentos complementares para dinamizar as economias locais e uma maior articulação de políticas públicas entre os países envolvidos. Alertou ainda que a infra-estrutura, por si só, não garante o sucesso dos corredores, defendendo a necessidade de quadros institucionais e regulatórios eficazes, com regimes de trânsito harmonizados, políticas fundiárias e industriais alinhadas e uma coordenação transfronteiriça eficiente.
A melhoria da logística, acrescentou, pode ter impactos diretos no sector agrícola de Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo (RDC), ao reduzir custos de transporte, melhorar o acesso aos mercados e aumentar os rendimentos dos produtores, sobretudo quando associada a investimentos em armazenamento, logística e agro-processamento.
A dirigente destacou ainda o peso dos recursos naturais no contexto económico do Corredor do Lobito, lembrando que a Zâmbia e a RDC concentram mais de 17% da produção mundial de cobre e mais de 70% do cobalto, minerais considerados essenciais para a transição energética, electrificação e produção de baterias. No entanto, frisou que o valor desses recursos depende da eficiência com que chegam aos mercados internacionais.
Segundo Anna Bjerde, corredores bem estruturados podem reduzir significativamente o tempo de escoamento dos minerais, passando de cerca de 28 dias até ao porto para aproximadamente cinco dias, o que representa uma diminuição expressiva de custos e um reforço da competitividade regional.
Por fim, referiu que iniciativas ligadas ao sector energético pretendem garantir acesso à electricidade a cerca de 300 milhões de pessoas em África até 2030, destacando que Angola está a expandir o fornecimento de energia a mais de um milhão de cidadãos, incluindo localidades situadas ao longo do Corredor do Lobito. Para a responsável, procedimentos aduaneiros eficientes, sistemas interoperáveis e normas comuns são factores determinantes para que os investimentos em infra-estruturas gerem resultados concretos e impulsionem o comércio intra-africano.

