O governo israelita negou esta sexta-feira a existência de fome na Faixa de Gaza, contestando a declaração oficial do Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC), agência da ONU que confirmou pela primeira vez uma situação de fome no Médio Oriente.
“Não há fome em Gaza”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, em comunicado citado pela France-Presse.
Segundo o IPC, cerca de 500 mil pessoas enfrentam condições catastróficas, com risco de fome, miséria e morte, e a crise deverá estender-se até Deir el-Balah e Khan Yunis até ao final de setembro.
Israel, porém, classificou o relatório como “feito à medida para a falsa campanha do Hamas” e acusou a agência da ONU de ter ignorado os seus próprios critérios. A diplomacia israelita afirmou ainda que a análise se baseia em “mentiras do Hamas, branqueadas por organizações com interesses particulares”.
O Cogat, órgão do Ministério da Defesa responsável por assuntos civis nos Territórios Palestinianos, também rejeitou as conclusões, considerando-as “falsas e tendenciosas”. Segundo Israel, a Faixa de Gaza foi “inundada por ajuda humanitária nas últimas semanas”, o que teria provocado uma queda nos preços dos bens essenciais.
A declaração da ONU surge num cenário de guerra desencadeado a 7 de outubro de 2023, quando o Hamas — grupo classificado como organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia — lançou um ataque contra o sul de Israel, causando 1.200 mortos e 250 reféns.
Desde então, a ofensiva israelita em Gaza provocou mais de 62.190 mortes, em grande parte de civis, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, cujos números são considerados fiáveis pelas Nações Unidas.

