A relação já tensa entre os Estados Unidos e a Venezuela conheceu um novo agravamento esta semana. Washington enviou três navios de guerra e cerca de quatro mil fuzileiros navais para águas ao largo da Venezuela, alegando combate ao tráfico de droga. Caracas reagiu de imediato, acusando os norte-americanos de ingerência e ameaçando retaliar em caso de incursão.
Segundo informações avançadas pela agência France-Presse, a operação naval norte-americana tem como objetivo oficial travar redes internacionais de narcotráfico. No entanto, analistas sublinham que a medida também reforça a pressão política do presidente Donald Trump sobre o governo de Nicolás Maduro.
Recompensa e acusações de narcotráfico
No início de agosto, Trump duplicou para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à captura de Maduro, acusado pelos EUA de chefiar uma rede de “narcotráfico” internacional. A Casa Branca classifica o executivo venezuelano como um “cartel narcoterrorista” e considera o chefe de Estado uma ameaça à segurança nacional.
A procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, chegou mesmo a afirmar que Maduro “é hoje um dos maiores narcotraficantes do mundo”, acusando-o de ligações a cartéis violentos sediados na Venezuela e no México.
Caracas responde: “Não ousem meter a mão na Venezuela”
O governo venezuelano rejeita as acusações e garante que o país é um dos que mais resultados apresenta no combate ao tráfico de drogas no continente. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, advertiu Washington para não avançar com qualquer ofensiva:
> “Eu digo aos Estados Unidos para não ousarem meter a mão aqui na Venezuela. Não seria apenas contra a Venezuela, mas contra toda a América Latina.”
Nicolás Maduro, por seu lado, convocou a milícia, reservistas e civis para uma grande mobilização popular no fim de semana, afirmando que o país está preparado para enfrentar “as ameaças do imperialismo”.
ONU pede moderação
O agravamento da crise já motivou um apelo da ONU. O secretário-geral António Guterres, através da sua porta-voz adjunta Daniela Gross, instou os dois países a “resolverem as suas diferenças por meios pacíficos” e a reduzirem a escalada de hostilidades.
Desde que os EUA deixaram de reconhecer a reeleição de Nicolás Maduro — considerada fraudulenta por parte da comunidade internacional — as relações entre Washington e Caracas têm-se deteriorado. As sanções económicas, o isolamento diplomático e agora a mobilização militar norte-americana aumentam o risco de confronto direto no continente.

