A Organização das Nações Unidas (ONU), através da Classificação de Fases de Segurança Alimentar Integrada (IPC), confirmou esta quinta-feira, 21 de agosto, a existência de fome na Cidade de Gaza. O organismo prevê ainda que a situação se alargue às províncias de Deir al-Balah e Khan Younis até ao final de setembro.
Segundo o relatório, mais de 500 mil pessoas enfrentam “condições catastróficas”, marcadas por fome extrema, miséria e risco de morte. Outros 1,07 milhões de habitantes — mais de metade da população do território — encontram-se em níveis de emergência de insegurança alimentar aguda.
Em conferência de imprensa em Genebra, o coordenador humanitário da ONU, Tom Fletcher, lamentou que a tragédia pudesse ter sido evitada:
> “Esta é uma fome que poderíamos ter prevenido, mas a entrada de ajuda alimentar tem sido sistematicamente bloqueada por Israel. Os alimentos permanecem acumulados nas fronteiras.”
O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita reagiu de imediato, negando a existência de fome no enclave palestiniano e acusando a ONU de alinhar com a propaganda do Hamas.
Num comunicado citado pela agência *France-Presse*, as autoridades israelitas afirmaram que o relatório da IPC foi “feito sob medida para a campanha enganosa do Hamas” e que “se baseia em mentiras propagadas por organizações com interesses políticos”.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, também se pronunciou, sublinhando que a desnutrição generalizada está a transformar doenças comuns, como a diarreia, em problemas potencialmente fatais, sobretudo entre crianças.
> “Gaza precisa urgentemente de alimentos e medicamentos. Os bloqueios à ajuda humanitária têm de terminar”, apelou.
A crise humanitária em Gaza agravou-se após a ofensiva militar de Israel, lançada em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou em cerca de **1.200 mortos e 250 reféns** no sul de Israel.
Desde então, mais de **62 mil pessoas perderam a vida** no território palestiniano, segundo dados do governo do Hamas, no poder desde 2007.
Israel, os Estados Unidos e a União Europeia classificam o Hamas como uma organização terrorista.

