O recente acordo de cessar-fogo de duas semanas destinado a reduzir a tensão entre os Estados Unidos e o Irão enfrenta novos riscos, depois de Teerão ter voltado a encerrar o Estreito de Ormuz em reação a bombardeamentos israelitas no Líbano.
O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou nas redes sociais que o reforço de navios de guerra e tropas dos EUA permanecerá na região até que o que descreveu como o “verdadeiro acordo” seja plenamente cumprido por Teerão. O líder norte-americano advertiu ainda que, caso o entendimento falhe, os Estados Unidos responderão com força superior.
O novo impasse surge poucos dias após Washington e Teerão terem proclamado vitória com a assinatura de uma trégua temporária. Contudo, a intensificação da violência no Líbano colocou em causa a estabilidade do acordo.
A Casa Branca considerou “inaceitável” o encerramento do Estreito de Ormuz e exigiu a reabertura da rota marítima estratégica para o comércio global de petróleo.
O Irão acusa os Estados Unidos de violar compromissos assumidos. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o fim dos ataques no Líbano fazia parte do entendimento, posição rejeitada por Washington e por Israel.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, mantém que as operações militares contra o Hezbollah não estão abrangidas pelo cessar-fogo.
Também o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, criticou a postura dos EUA e classificou como “irracionais” novas conversações, alegando incumprimento de várias condições impostas por Teerão.
A escalada militar atingiu níveis elevados após uma série de bombardeamentos israelitas que, segundo autoridades libanesas, provocaram 182 mortos num único dia — o balanço diário mais elevado desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, acusou Israel de atingir zonas civis e de violar o direito internacional. Já o presidente do país, Joseph Aoun, classificou os ataques como “bárbaros”.
As forças israelitas afirmam ter atingido mais de 100 alvos do Hezbollah em apenas 10 minutos, incluindo lançadores de mísseis e centros de comando. Residentes e autoridades locais contestam esta versão, assegurando que edifícios residenciais foram atingidos.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, pelo menos 890 pessoas ficaram feridas nos ataques mais recentes. Em pouco mais de cinco semanas de conflito, o número total de mortos no Líbano já ultrapassa 1.700, com milhares de feridos.
A crescente divergência entre as partes e a intensificação dos combates levantam dúvidas sobre a sobrevivência do cessar-fogo, num momento em que a comunidade internacional acompanha com preocupação a evolução da crise no Médio Oriente.

