Um militar da Marinha de França poderá ter revelado, de forma involuntária, a posição do porta-aviões Charles de Gaulle ao utilizar uma aplicação de atividade física, segundo informações divulgadas pelo jornal Le Monde.
O incidente terá ocorrido após o destacamento do navio para o Mediterrâneo, no início de março, no contexto do aumento das tensões no Médio Oriente. A missão foi descrita pelo Presidente Emmanuel Macron como sendo de natureza defensiva, com o objetivo de apoiar aliados na região.
De acordo com a investigação jornalística, o marinheiro registou um percurso de corrida realizado a bordo do navio, com os dados a serem partilhados publicamente na aplicação Strava. A atividade, datada de 13 de março, permitiu identificar a localização aproximada do porta-aviões, numa zona marítima a noroeste de Chipre, informação que terá sido confirmada por imagens de satélite.
Registos anteriores do mesmo utilizador indicam também trajetos realizados no final de fevereiro em Copenhaga, sugerindo a presença do navio naquela região antes da deslocação para o Mediterrâneo.
As autoridades militares francesas confirmaram que o caso está a ser analisado e alertaram que, caso se comprove negligência, o responsável poderá ser sancionado. Reforçaram ainda que os militares são regularmente instruídos sobre os riscos associados à partilha de dados sensíveis através de aplicações digitais.
O episódio levanta preocupações sobre a segurança operacional e a exposição de informações estratégicas em contexto militar, num momento de elevada tensão internacional.

