A vila sede do distrito de Machanga, na província de Sofala, encontra-se inundada desde a tarde de quarta-feira, na sequência do transbordo da bacia do rio Save, cujo nível continua acima do limite de alerta.
De acordo com dados oficiais, o caudal do rio ultrapassou significativamente o nível de risco, atingindo cerca de 6,85 metros durante a manhã desta quinta-feira, quando o nível de alerta está fixado nos 5,50 metros. As autoridades alertam que a situação poderá agravar-se nas próximas horas, devido à contínua subida das águas.
As inundações já provocaram impactos significativos na vida da população local. Um centro de saúde teve de ser evacuado, incluindo os doentes internados, enquanto 14 escolas foram encerradas, deixando cerca de 7.700 alunos sem aulas. Além disso, perto de 100 famílias encontram-se já instaladas em centros de acomodação.
Em várias zonas da vila, sobretudo nas áreas mais baixas, o nível da água ultrapassa um metro de altura, obrigando os moradores a abandonar as suas residências. Algumas ruas tornaram-se intransitáveis para veículos, sendo agora utilizadas por embarcações.
As operações de resgate e evacuação estão a ser conduzidas pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, que mobilizou equipas no terreno para apoiar a retirada da população e garantir a deslocação para zonas seguras. Enquanto alguns residentes utilizam barcos disponibilizados pelas autoridades, outros recorrem a embarcações artesanais ou deslocam-se a pé, enfrentando riscos.
Equipas multissetoriais continuam a monitorizar a evolução da situação e a sensibilizar a população para abandonar áreas de risco. As autoridades admitem a possibilidade de retirada compulsiva de moradores que resistam em sair.
Este tipo de ocorrência tem-se tornado mais frequente em Machanga desde 2019, afetando infraestruturas públicas, como edifícios administrativos e unidades de saúde.
Com a previsão de agravamento do caudal do rio Save, as autoridades mantêm o alerta e reforçam os esforços para minimizar os impactos das cheias e proteger vidas.

