Maputo — Num passo estratégico para fortalecer a resiliência climática, o Governo inaugurou, esta quarta-feira, uma moderna Sala de Comando do Sistema de Previsão e Alerta de Cheias, uma infra-estrutura que promete transformar a forma como o país antecipa e responde a eventos extremos.
By: Arson Armando
Durante a cerimónia, o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, sublinhou que a diferença entre uma chuva intensa e uma tragédia reside, sobretudo, no aviso atempado. A nova sala surge precisamente com esse propósito: garantir que a informação chegue cedo, permitindo salvar vidas, proteger infra-estruturas e reduzir perdas económicas.
Moçambique continua exposto a fenómenos como cheias, secas e ciclones, cujos impactos se reflectem de forma directa no desenvolvimento socioeconómico. Neste contexto, a aposta em sistemas de prevenção deixa de ser opcional e passa a constituir uma prioridade nacional.
A infra-estrutura agora inaugurada posiciona-se como um centro nevrálgico de decisão, onde dados hidrometeorológicos são analisados em tempo real, permitindo a emissão de alertas claros e a coordenação eficaz entre instituições. Mais do que um espaço físico, trata-se de uma plataforma integrada que alia tecnologia, ciência e capacidade operacional.
O projecto contou com o financiamento da Agência de Cooperação Internacional do Japão (KOICA), reforçando o papel das parcerias internacionais na implementação de soluções concretas para desafios globais como as mudanças climáticas. Para além desta sala, estão em desenvolvimento outras duas infra-estruturas semelhantes nas cidades de Nampula e Mocuba.
O investimento global, estimado em cerca de 7,5 milhões de dólares, inclui ainda a instalação de 14 estações pluviométricas, 10 hidrométricas, três radares e nove sirenes, com particular incidência na bacia do rio Licungo, na província da Zambézia — uma das zonas mais vulneráveis do país.
Com esta modernização, o tempo de antecedência dos avisos poderá duplicar, passando de três para seis dias em determinados cenários. Este avanço representa uma margem crucial para que comunidades, autoridades e serviços de emergência possam preparar respostas eficazes.
A iniciativa envolve várias instituições, com destaque para o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), responsável pela coordenação operacional, e o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), que assegura a componente de previsão meteorológica.
Apesar dos avanços tecnológicos, o ministro alertou para a necessidade de garantir disciplina operacional, integração institucional, comunicação responsável e investimento contínuo, sublinhando que a eficácia do sistema depende tanto da tecnologia quanto da sua gestão.
Entretanto, a actual época chuvosa continua a exigir vigilância apertada. Diversas bacias hidrográficas permanecem sob alerta, incluindo Incomáti, Limpopo e Save, no Sul; Búzi e Púngoè, no Centro; e Megaruma, Montepuez e Messalo, no Norte.
Regista-se igualmente o aumento dos níveis de armazenamento em várias barragens, como Massingir, Pequenos Libombos, Corumana, Chicamba e Cahora Bassa, o que impõe uma monitoria contínua e uma gestão rigorosa.
Perante este cenário, o INGD já activou medidas preventivas na bacia do rio Save, com acções que incluem a disseminação de avisos, preparação de centros de acomodação e mobilização de equipas para eventuais evacuações.
Num apelo directo à população, as autoridades reforçam a importância de evitar travessias em zonas inundadas e de seguir as orientações oficiais, numa altura em que a prevenção pode fazer toda a diferença.
Com esta iniciativa, Moçambique dá mais um passo firme na construção de um sistema de gestão de risco mais eficiente, onde a antecipação se traduz em protecção e a informação chega antes do perigo.

