O mercado petrolífero iniciou a semana com fortes valorizações, impulsionadas pelo agravamento do conflito no Médio Oriente. O barril ultrapassou novamente a marca dos 100 dólares, atingindo níveis que não eram registados desde o início da guerra na Ucrânia.
Nas primeiras horas de negociação desta segunda-feira, o Brent — referência para o mercado europeu — chegou a registar uma subida histórica de cerca de 27%, tocando os 117,65 dólares por barril durante a sessão asiática. Mais tarde, por volta das 7h10 em Lisboa, o avanço situava-se em 16,34%, com o preço nos 107,75 dólares.
Ao mesmo tempo, o crude norte-americano WTI também apresentou fortes ganhos. Os contratos futuros chegaram a valorizar mais de 31% no arranque da sessão, atingindo 119,48 dólares, antes de recuarem ligeiramente para cerca de 107,73 dólares, ainda com uma subida superior a 14%.
A escalada nos preços surge na sequência das operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, numa crise que tem vindo a expandir-se pela região. O mercado está particularmente atento à situação no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Analistas alertam que, caso o fluxo de petróleo nesta zona não seja rapidamente normalizado e as tensões geopolíticas persistam, a pressão sobre os preços poderá prolongar-se.
A situação é agravada por cortes de produção em alguns dos principais produtores da região, incluindo Iraque e Kuwait, que estão a reduzir a extração devido à instabilidade.
Perante a subida abrupta dos preços, os países do G7 vão reunir-se de emergência para discutir a possibilidade de libertar petróleo das reservas estratégicas. A medida poderá ser coordenada com a Agência Internacional de Energia e envolver entre 300 e 400 milhões de barris, com o objetivo de aliviar a pressão no mercado.
Atualmente, os 32 países que integram a agência mantêm reservas estratégicas que, no conjunto, ultrapassam 1,2 mil milhões de barris.
Especialistas sublinham, no entanto, que a eficácia de qualquer intervenção dependerá sobretudo da evolução do conflito e da sua duração.
O aumento do preço do crude pode refletir-se rapidamente no custo dos combustíveis, alimentando a inflação e pressionando a economia global. Em Portugal, a subida recente do petróleo já tinha provocado aumentos de cerca de 20 cêntimos por litro nos combustíveis.
A notícia do forte avanço nos preços levou também a uma maior procura nos postos de abastecimento em alguns pontos do país durante o fim de semana.
Nos mercados financeiros asiáticos, a reação foi negativa. As bolsas de Tóquio e Seul encerraram em queda, pressionadas tanto pelo aumento do preço da energia como por resultados fracos no setor tecnológico. O índice Nikkei do Japão recuou mais de 5%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul perdeu perto de 6%.
O clima de tensão foi intensificado após o Irão anunciar o seu novo líder supremo. Mojtaba Khamenei, filho do anterior aiatolá, foi escolhido para assumir o cargo, sendo visto por analistas como próximo de setores mais conservadores do regime.
A escolha não agradou a Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já tinha manifestado oposição ao nome, afirmando anteriormente que a decisão poderia ter consequências para o futuro político do país.
Especialistas consideram que este fator pode dificultar uma resolução rápida da crise e manter o mercado energético em estado de elevada volatilidade nas próximas semanas.

