LUANDA (02/02/2026) – O mercado de criptomoedas demonstrou resiliência neste domingo ao se recuperar do choque provocado por um grave evento geopolítico no Oriente Médio. O Bitcoin (BTC) voltou a ser negociado próximo da faixa dos US$ 68.000, após ter sofrido uma queda de quase 5% no sábado, em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais.
A reação negativa inicial ocorreu após relatos da morte do líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, em ataques coordenados atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. A notícia desencadeou pânico nos ativos de risco, afetando tanto ações quanto criptoativos.
Apesar do susto, o valor total do mercado cripto recuperou cerca de US$ 32 bilhões em capitalização, sinalizando uma tentativa de estabilização após o movimento abrupto de venda.
Liquidações em massa e o efeito dominó nos derivativos
A queda de sábado foi mais do que uma simples correção técnica. Tratou-se de um evento clássico de desalavancagem forçada. Dados da plataforma CoinGlass mostram que mais de US$ 515 milhões em posições foram liquidadas no mercado de derivativos, afetando aproximadamente 152 mil traders em poucas horas.
Esse tipo de “efeito dominó” ocorre quando investidores excessivamente alavancados são obrigados a encerrar posições para cobrir margens, amplificando a pressão vendedora e intensificando a volatilidade — um fenômeno recorrente em momentos de estresse macroeconômico ou geopolítico.
Bitcoin volta ao debate como “ouro digital” em tempos de guerra
A recuperação rápida acima dos US$ 68 mil reacende a discussão sobre o papel do Bitcoin como ativo de proteção. Historicamente, conflitos armados e tensões internacionais provocam uma corrida inicial para liquidez e ativos considerados seguros, como o dólar e o ouro.
No entanto, parte do mercado passa a enxergar a escassez programada do Bitcoin como um contraponto à instabilidade das moedas fiduciárias, especialmente em cenários de expansão fiscal, conflitos prolongados e perda de confiança institucional. Essa narrativa, embora ainda controversa, ganha força sempre que o BTC demonstra capacidade de recuperação após choques sistêmicos.
Apesar do desempenho positivo no domingo, o otimismo segue cauteloso. O verdadeiro teste para o mercado acontece nesta segunda-feira, com a reabertura das bolsas de valores dos EUA e, principalmente, dos ETFs de Bitcoin à vista negociados em Wall Street.
Atualmente, o fluxo institucional exerce influência decisiva sobre o preço do BTC. Saídas relevantes de capital desses ETFs podem comprometer a recuperação recente e reacender a pressão vendedora no curto prazo.
Hedge persistente e a zona crítica dos US$ 60.000
Analistas também monitoram de perto o mercado de opções. Há uma concentração expressiva — cerca de US$ 1,87 bilhão — em contratos de venda (puts) na faixa dos US$ 60.000. Esse posicionamento sugere que grandes investidores, as chamadas “baleias”, estão fortemente protegidos contra um cenário de queda mais acentuada.
O volume indica cautela estrutural: caso o conflito no Oriente Médio se intensifique ou provoque impactos macroeconômicos mais amplos, o Bitcoin pode ser pressionado a testar novamente esse importante nível de suporte psicológico.

