A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou para um agravamento significativo das condições meteorológicas durante o fim de semana, devido à passagem da depressão Marta, que deverá trazer chuva intensa e rajadas de vento superiores a 100 quilómetros por hora em várias regiões do país.
Segundo o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, a zona compreendida entre Leiria e o Algarve será uma das mais afetadas pela precipitação, classificando a situação como altamente preocupante. O responsável sublinhou o elevado risco de derrocadas e recomendou especial cautela em áreas próximas de muros, encostas e zonas de declive, onde a pressão da água poderá provocar colapsos.
Atualmente, estão mobilizados cerca de 27 mil operacionais em todo o território nacional. Ao longo do dia, foram também utilizados meios aéreos da ANEPC e da Força Aérea para apoiar operações de vigilância e retirada de pessoas em áreas consideradas críticas.
A Proteção Civil alertou ainda para o risco de cheias, sobretudo nos cursos de água secundários que desaguam nos principais rios, podendo provocar inundações em zonas ribeirinhas. Os rios Douro, Mondego e Tejo são motivo de particular preocupação, devido ao aumento do caudal associado às descargas das barragens, algumas delas localizadas em território espanhol.
Para sexta-feira e sábado, o risco de inundações é elevado nos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, mantendo-se também vigilância apertada sobre outros cursos de água como o Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana.
As regiões do Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo deverão ser as mais afetadas pela depressão Marta. Desde o início do mau tempo, registaram-se mais de 7.500 ocorrências e foram deslocadas 884 pessoas, todas já realojadas. Existem ainda localidades parcialmente isoladas nos concelhos do Cartaxo, Coimbra e no Algarve.
Estão atualmente ativos 90 planos municipais e sete planos distritais de emergência. Persistem inundações em Coruche, devido ao galgamento do rio Sorraia, e em Alcácer do Sal, embora aí o nível da água tenha recuado cerca de dois metros. No concelho de Santarém, cerca de 250 pessoas tiveram de abandonar as suas casas.
Entretanto, o Hospital de Leiria registou quase mil feridos com traumatismos desde a passagem da depressão Kristin, no final de janeiro. A norte do país, o transbordo do rio Douro provocou inundações em zonas históricas do Porto, como a Ribeira e Miragaia, e em vários pontos de Vila Nova de Gaia.
Face ao agravamento da situação, o aviso meteorológico passou de laranja para vermelho, o nível máximo, devido ao risco de cheias. A Proteção Civil mantém meios de apoio, incluindo embarcações, para auxiliar a população.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, estimou que os prejuízos causados pelo mau tempo já ultrapassam os quatro mil milhões de euros. O governo anunciou a mobilização de diversos instrumentos financeiros para apoiar famílias, agricultores e empresas afetadas, recorrendo a fundos públicos, privados, ao Orçamento do Estado e ao Plano de Recuperação e Resiliência.
A situação de calamidade foi prolongada até ao dia 15 em 68 concelhos, que poderão beneficiar de medidas de apoio no valor global de até 2,5 mil milhões de euros.

