Washington / Copenhaga – A Casa Branca afirmou esta terça-feira que o uso das forças armadas dos Estados Unidos “é sempre uma opção” para o presidente Donald Trump na sua intenção de colocar a Gronelândia sob controlo norte-americano, reacendendo um tema que já tinha marcado o seu primeiro mandato.
A ideia voltou à agenda após a operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no fim de semana. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, a aquisição do território autónomo dinamarquês representa uma “prioridade de segurança nacional” devido à sua posição estratégica no Ártico.
“O presidente e a sua equipa analisam várias opções para concretizar este objetivo de política externa. Naturalmente, a utilização das forças armadas está sempre disponível para o comandante em chefe”, declarou Leavitt.
As declarações surgem após a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e líderes de países como França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha e Reino Unido emitirem um comunicado conjunto, sublinhando que “a Gronelândia pertence ao seu povo” e reafirmando a soberania do território, integrado no Reino da Dinamarca e membro da NATO.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também manifestou apoio a Copenhaga, anunciando uma visita oficial à ilha por parte da governadora-geral Mary Simon e da ministra dos Negócios Estrangeiros Anita Anand.
“O futuro da Gronelândia e da Dinamarca cabe exclusivamente ao povo dinamarquês”, afirmou Carney.
Apesar do posicionamento da Casa Branca, a proposta não reúne consenso dentro do próprio governo norte-americano. O recém-nomeado enviado especial para a Gronelândia, Jeff Landry, e o chefe de gabinete adjunto Stephen Miller têm afirmado que não seria necessário recorrer à força militar.
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, também rejeitou a ideia:
“Não acho apropriado considerar ação militar”, declarou.
Landry, por sua vez, defende uma aproximação direta aos habitantes da Gronelândia, evitando negociações com autoridades dinamarquesas. Em entrevista à Fox News, afirmou ter recebido contactos de residentes interessados em melhorias económicas.
“Quero falar com pessoas que procuram oportunidades para melhorar a qualidade de vida na ilha”, disse, recorrendo até ao humor ao chamar à sua abordagem “diplomacia culinária”.

