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“Não se justifica usar dinheiro público para um jogo”: Florindo Chivucute critica uso de fundos públicos e alerta para crise social em Angola

Críticas ao uso de fundos públicos no jogo Angola vs Argentina

by Marcelino Gimbi

Florindo Chivucute, diretor da organização Friends of Angola, denunciou em Berlim práticas de corrupção, violações de direitos humanos e prioridades governamentais que considera incompatíveis com a realidade social do país. As declarações foram feitas durante o World Liberty Congress, evento dedicado ao combate à cleptocracia e ao autoritarismo, que reuniu activistas e organizações internacionais no Parlamento alemão.

Entre os temas levados por Chivucute ao encontro estiveram o adiamento das autárquicas, o aumento das detenções de presos políticos, a crise socioeconómica e, sobretudo, os elevados gastos associados ao polémico jogo de futebol entre Angola e Argentina.

Segundo o activista, não é o jogo em si que causa controvérsia, mas os valores envolvidos. “Estamos contra os gastos avultados. Mais de 20 milhões de dólares de dinheiro público estão a ser usados numa altura em que o país vive momentos muito difíceis”, afirmou.

Chivucute recorda que Angola enfrenta uma escalada da pobreza, falta de professores e abandono escolar, escassez de água potável e serviços de saúde debilitados. Para ele, “com tantos problemas socioeconómicos, não se justifica usar dinheiro público para uma partida de futebol”.

“O futebol está a ser usado para desviar a atenção”

Apesar da grande afluência de público ao jogo, o diretor da Friends of Angola acredita que os angolanos não se deixam distrair da sua realidade. “Esta é uma tática comum em países autoritários: usar o futebol para desviar a atenção. Mas não será suficiente. As pessoas vão voltar para os seus bairros sem água, para os seus filhos fora da escola”, disse.

Chivucute sublinha que a indignação tem crescido, não apenas entre cidadãos, mas também entre líderes religiosos e figuras de vários sectores políticos.

A presença de Chivucute em Berlim coincidiu com a visita oficial do Presidente da Alemanha a Angola. No entanto, os temas ligados à democracia e aos direitos humanos não foram destacados pelas autoridades alemãs, situação que o activista considera preocupante.

“É lamentável que estas questões não tenham sido parte da agenda. As democracias precisam unir-se para além dos interesses económicos”, defendeu, recordando que a Europa também enfrenta desafios relacionados com a guerra na Ucrânia e o avanço do autoritarismo.l

Chivucute reforça que, enquanto Angola enfrenta fome, desemprego e carências básicas, o foco do governo deveria ser outro. “É urgente que as autoridades priorizem o bem-estar dos cidadãos. Não se trata apenas de economia, mas de direitos humanos e dignidade”, concluiu.

O World Liberty Congress terminou com apelos à cooperação internacional para travar práticas autoritárias e fortalecer a transparência e a democracia em países onde estas continuam ameaçadas.

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