Nova Iorque– O Presidente da República de Angola, João Lourenço, afirmou, esta quarta-feira, em Nova Iorque, que a industrialização é condição indispensável para garantir a prosperidade, a soberania económica e a integração regional do continente africano.
Ao intervir no Evento de Alto Nível sobre a Quarta Década de Desenvolvimento Industrial de África (IDDA IV), que decorre em paralelo com a 80.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Chefe de Estado destacou a necessidade de mobilizar financiamento inovador, fortalecer as infra-estruturas e apostar na capacitação técnica e tecnológica da juventude.
João Lourenço recordou que a Terceira Década de Desenvolvimento Industrial de África, proclamada em 2016, chegou ao fim este ano, sendo agora o momento de projectar iniciativas para os próximos dez anos. Sublinhou também o papel central da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), já ratificada por 49 países, como uma oportunidade para aumentar em até 25% o comércio intra-africano e gerar maior valor acrescentado para a indústria e os serviços.
O Presidente angolano frisou que sem inovação tecnológica, cadeias de valor integradas e políticas de apoio às pequenas e médias empresas, os objectivos de desenvolvimento sustentável não serão atingidos. “Não podemos esperar mais uma geração para fazer da industrialização africana uma realidade”, advertiu.
No seu discurso, João Lourenço apresentou igualmente a experiência de Angola, assente na cooperação com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) desde 2016. O país, disse, tem vindo a implementar iniciativas como parques industriais rurais, programas de substituição de importações e promoção das exportações, além de investir em infra-estruturas estratégicas, com destaque para o Corredor do Lobito.
O Chefe de Estado anunciou ainda a realização, em Outubro próximo, em Luanda, da Cimeira sobre Financiamento de Infra-estruturas como Factor de Desenvolvimento de África, considerada um momento crucial para alinhar investimentos estratégicos e consolidar parcerias regionais e internacionais.
Para João Lourenço, a industrialização deve andar de mãos dadas com a justiça social e a preservação ambiental, oferecendo empregos dignos à juventude, empoderando as mulheres e posicionando África na economia do conhecimento e na transição energética. “O futuro de África depende da nossa capacidade de transformar esta visão em realidade”, concluiu.

