O ativista social Pedro Mateus Manuel divulgou a sua quarta carta aberta dirigida à governadora da província do Cunene, Gerdina Didalelwa, desta vez com foco na situação da saúde pública e no funcionamento dos hospitais do Ekuma e Simione.
By.DIÁRIO INDEPENDENTE
Na missiva, o ativista denuncia um “elevado número de reclamações” envolvendo o atendimento médico no Hospital do Ekuma, onde pacientes relatam supostos erros médicos e negligência em casos graves. Um dos episódios descritos envolveu uma criança em risco de infarto que, segundo ele, não teria recebido socorro imediato, sendo necessário o envolvimento da Polícia Nacional e a formalização de uma queixa-crime pela família para que o atendimento fosse garantido.
Pedro Mateus Manuel revelou ainda que tanto o Hospital do Ekuma como a Ordem dos Médicos o processaram por alegada difamação, calúnia e injúria. Para o ativista, trata-se de uma tentativa de “silenciar vozes críticas”. “Estou ansioso para responder em tribunal, porque será uma oportunidade de provar, por A e B, as falhas no atendimento que a população tem denunciado”, afirmou.
Além disso, o ativista aponta relatos recorrentes de desvio de medicamentos e outros bens no Hospital do Ekuma, criticando a ausência de explicações públicas por parte da direção.
Quanto ao Hospital Simione, a queixa centra-se na “excessiva burocracia” e na demora no atendimento, o que, segundo Manuel, obrigou familiares a recorrerem a hospitais da Namíbia. Ele cita como exemplo o caso de sua sobrinha, que precisou ser transferida devido à falta de resposta eficaz na unidade.
Apesar das críticas, o ativista destacou o trabalho de médicos e enfermeiros que “cumprem a sua missão com profissionalismo e humanidade”, merecendo, nas suas palavras, “respeito e aplauso”.
Esta é a quarta carta aberta publicada por Pedro Mateus Manuel no espaço de quatro dias consecutivos, integrando uma sequência de denúncias públicas sobre a governação e os serviços públicos no Cunene.
Até ao momento, não houve reação oficial da direção dos hospitais referidos nem do Governo provincial em relação às denúncias apresentadas.

