Luanda – Familiares de José Julino Kalupeteka, líder da seita religiosa A Luz do Mundo, alertaram para o agravamento da saúde do recluso e apelaram às autoridades angolanas que lhe concedam liberdade condicional para tratamento médico adequado.
Condenado em 2016 a 23 anos de prisão pelo Tribunal da Comarca do Huambo, Kalupeteka terá contraído hepatite durante o período de reclusão. Segundo a família, a assistência médica na cadeia é insuficiente e a sua condição clínica tem-se deteriorado rapidamente.
Em declarações divulgadas nas redes sociais, Elias Kanjomba Kalupeteka, filho do líder religioso, descreveu o quadro como “preocupante”, afirmando que o pai se encontra debilitado e já não consegue movimentar-se sem ajuda. “Os cuidados médicos que recebe não são os mais adequados. Pedimos apenas que lhe seja concedida a liberdade condicional, não a definitiva, para que possa ser tratado com dignidade”, apelou.
O jurista Jaime Domingos, ouvido pela DW, reforçou que o Estado tem a obrigação de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, mesmo quando condenados. “O direito à vida, à honra, ao bom nome e à assistência médica não podem ser retirados. A Constituição proíbe qualquer forma de tortura ou tratamento degradante”, sublinhou.
A família associa ainda o agravamento do estado de saúde de Kalupeteka às agressões que sofreu no momento da sua detenção, em 2015, durante os confrontos de Monte Sumi, onde morreram nove agentes da Polícia Nacional.
O escritório de advogados Mãos Livres, que defende o líder religioso, confirmou que estão em curso diligências legais para requerer a sua liberdade condicional. Até ao fecho desta edição, o Serviço Penitenciário de Angola não reagiu ao pedido de esclarecimentos.

