Nova Iorque – Os Estados Unidos voltaram a vetar uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que apelava a um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e ao reforço da ajuda humanitária. A proposta, apresentada pelos dez membros não permanentes do órgão, recebeu 14 votos favoráveis, mas foi bloqueada pelo voto norte-americano, exercido na condição de membro permanente.
A iniciativa vetada exigia a suspensão de barreiras à entrada de assistência internacional, a libertação imediata e incondicional dos reféns israelitas e atribuía ao secretário-geral da ONU, António Guterres, a responsabilidade de apresentar um relatório sobre a aplicação das medidas no prazo de 30 dias.
O debate foi impulsionado pela declaração oficial da ONU, em agosto, que confirmou um cenário de fome em Gaza. “Mães são obrigadas a ferver folhas para alimentar os filhos. Pessoas são mortas ao tentar conseguir comida. Uma geração inteira corre o risco de se perder”, alertou a embaixadora dinamarquesa Christina Markus Lassen, antes da votação.
Washington acusa ONU de parcialidade
A representante norte-americana, Morgan Ortagus, justificou o veto afirmando que a resolução não incluía uma condenação explícita ao Hamas e “legitima falsas narrativas que beneficiam o movimento”. Criticou ainda o relatório das Nações Unidas que aponta indícios de genocídio em Gaza, classificando-o como “calunioso, sem credibilidade e enviesado”.
Segundo Ortagus, o documento, elaborado por uma comissão independente liderada por Navi Pillay, antigo presidente do Tribunal Penal Internacional de Ruanda, “viola os padrões da própria ONU” e reflete “uma falência moral do Conselho de Direitos Humanos”.
O embaixador da Argélia, Amar Bendjama, acusou os Estados Unidos de protegerem Israel de forma sistemática: “Israel mata um povo de fome, bombardeia hospitais, escolas e abrigos, e nada acontece”, afirmou.
Já o representante israelita, Danny Danon, argumentou que a proposta de resolução falhava ao não reconhecer que “todos os atos de terrorismo são criminosos” nem condenava o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Do lado palestiniano, Riyad Mansour considerou o veto “lamentável e doloroso”, acusando Washington de impedir que o Conselho de Segurança cumpra a sua obrigação de proteger civis palestinianos das “atrocidades e do genocídio em curso”.

