O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apelou este domingo a Israel para que seja “muito cuidadoso” nas suas ações em relação ao Qatar, país que considerou “um grande aliado de Washington no Médio Oriente”.
A declaração surgiu em resposta a uma pergunta de jornalistas sobre os ataques israelitas, realizados na semana passada em Doha, contra dirigentes do Hamas. “Têm de ser muito, muito cuidadosos. É preciso lidar com o Hamas, mas o Qatar tem sido um grande aliado dos Estados Unidos”, sublinhou Trump, acrescentando que não ficou satisfeito com a operação israelita, por a considerar unilateral e contrária aos interesses norte-americanos e israelitas.
Na sexta-feira, Trump jantou em Washington com o primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, a quem descreveu como “uma pessoa maravilhosa”. Segundo o presidente norte-americano, o emirado precisa de reforçar a sua “estratégia de relações públicas”, mas continua a desempenhar um papel central como mediador no conflito de Gaza.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, esteve em Israel na segunda-feira para reuniões com Benjamin Netanyahu e outros dirigentes israelitas, transmitindo a preocupação da Casa Branca com o ataque em Doha e com a nova ofensiva em Gaza.
O ataque aéreo israelita, realizado na terça-feira, atingiu um complexo residencial na capital do Qatar e provocou seis mortos — um oficial de segurança qatari e cinco membros do Hamas. Apesar disso, o movimento palestiniano garantiu que não perdeu dirigentes de topo, embora uma confirmação oficial possa surgir apenas mais tarde.
O primeiro-ministro do Qatar criticou duramente Israel e convocou para esta segunda-feira uma cimeira árabe e islâmica de emergência em Doha, destinada a discutir uma resposta coletiva à ofensiva israelita. O governo qatari reafirmou ainda a intenção de continuar a desempenhar o papel de mediador em busca de um cessar-fogo em Gaza.
Desde o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023, Telavive tem intensificado operações militares contra o grupo e contra aliados do chamado “Eixo da Resistência”, com ações registadas no Irão, Líbano, Síria, Iémen e, mais recentemente, no Qatar.

