Luanda, capital de Angola, amanheceu nesta terça-feira, 29 de julho, sem circulação de táxis, em cumprimento ao segundo dia de paralisação convocada para os dias 28, 29 e 30. A paralisação, liderada pela classe dos taxistas, tem causado sérios transtornos no sistema de transporte urbano da cidade.
Diferentemente do primeiro dia, marcado por confrontos, vandalismo e três mortes confirmadas, o segundo dia foi relativamente mais tranquilo, com menor registo de distúrbios, segundo apuração do jornal “O Decreto”.
A greve dos taxistas é uma resposta direta ao recente aumento dos combustíveis no país — o gasóleo passou a custar 400 kwanzas e a gasolina 300 kwanzas por litro. A medida tem gerado forte descontentamento popular, refletido em diversos protestos nas últimas semanas, incluindo manifestações lideradas pelo Movimento dos Estudantes Angolanos.
Com a paralisação dos táxis, diversas áreas de Luanda como Golf 2, Estalagem, Escongolenses, FTU e Zango ficaram sem qualquer meio de transporte público. Milhares de pessoas tentaram sair cedo de casa para trabalhar, mas enfrentaram enormes dificuldades devido à ausência total de transporte.
Alguns motoristas tentaram oferecer caronas em veículos particulares, mas foram impedidos pela população, que os acusava de operar serviços de táxi clandestino.
A Polícia Nacional informou ter registado atos de vandalismo em algumas vias da cidade e utilizou gás lacrimogéneo para conter ajuntamentos considerados potencialmente perigosos. As autoridades garantem que medidas estão em curso para restaurar a ordem pública.
Os partidos MPLA, UNITA e Bloco Democrático manifestaram-se publicamente contra os atos de violência, lamentaram as perdas humanas e condenaram os danos ao patrimônio público e privado ocorridos durante os protestos de segunda-feira.

