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Israel assassina dezenas de civis em “zona segura” em Rafah, indignação sai às ruas

Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos diz que “Gaza é o inferno na Terra” e que as imagens da noite de ontem são “mais um testemunho disso”. Refugiados contam que sempre que os enviaram para uma “zona segura” foram bombardeados.
Lusa

A Força Aérea israelita bombardeou este domingo o acampamento de Tel Al-Sultan na zona ocidental de Rafah, uma zona de tendas onde se encontravam pessoas deslocadas numa área que tinha sido designada uma zona segura. O balanço de mortos é ainda provisório mas já se sabe que pelo menos 50 pessoas foram assassinadas por um ataque com pelo menos oito mísseis.

As forças armadas sionistas dizem que o ataque que vitimou os civis numa área para onde foram encaminhados foi feito com “munições de precisão e com base em informações precisas” sobre a presença de combatentes mas que um incêndio deflagrou e “vários civis foram atingidos”, estando este a “ser analisado”.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos escreveu no X que os ataques “contra pessoas que procuravam refúgio são horríveis”, que há informações de “baixas em massa, incluindo crianças e mulheres”. A instituição considera que “Gaza é o inferno na Terra” e que as imagens da noite de ontem são “mais um testemunho disso”.

O Crescente Vermelho da Palestina informou que muitos dos mortos foram “queimados vivos” dentro das suas tendas. Os Médicos sem Fronteiras confirmaram que “dezenas” de mortos e feridos chegaram a uma unidade de cuidados intensivos por si gerida. A organização também se diz “horrorizada” pelo sucedido que “mostra mais uma vez que não há nenhum lugar seguro”.

Os relatos de testemunhas no local recolhidos pela Al Jazeera falam num massacre. Por exemplo, Majed al-Attar, que tinha fugido do norte da Faixa de Gaza em busca de um refúgio seguro diz que perdeu imediatamente cinco membros da família “todos completamente queimados” e entre os quais havia uma mulher grávida. “Sempre que nos disseram que uma área era segura fomos bombardeados”, resume, acrescentando: “há massacres em todo o lado”.

A Amnistia Internacional pede uma investigação criminal por crimes de guerra do Estado sionista não só por este ataque mas por outros três ocorridos a 16, 19 e 20 do mês passado, nos quais terão morrido pelo menos 44 pessoas, 32 das quais crianças, e causado mais de 20 feridos. Foram “ataques devastadores que dizimaram famílias”, no entender de Erika Guevara-Rosas, dirigente da organização de defesa dos direitos humanos. Esta investigou perto de 16 bombardeamentos aéreos que ocorreram desde outubro passado e mataram 370 civis, 159 dos quais crianças.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros espanhol, irlandês e norueguês, numa conferência de imprensa conjunta, criticaram o sucedido. José Manuel Albares diz que isto mostra a necessidade de um cessar-fogo imediato e que “gravidade” é “ainda maior porque acontece depois de uma decisão do Tribunal Internacional de Justiça”.

Micheal Martin, o irlandês, afirmou não haver solução militar para o conflito e considerou o ataque da noite anterior como “bárbaro”. Do seu ponto de vista, “não se pode bombardear uma área destas sem consequências chocantes em termos crianças e civis inocentes”, instando Israel a “parar agora” as operações militares.

Espen Barth Eide, o governante norueguês, para além de justificar o reconhecimento do Estado da Palestina porque “é a coisa certa a fazer mas mais importante o tempo certo para o fazer”, referiu o cenário de extrema violência em Gaza e a expansão dos colonatos ilegais na Cisjordânia. Acrescentou que durante meses havia preocupações de que a guerra israelita violava a lei humanitária “agora sabemos”, sublinhando que ordem do Tribunal Internacional, a “mais alta” instância judicial do mundo é obrigatória.

Também o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, disse ao canal SkyTG 24 que os ataques israelitas “já não podem ser justificados” e que “estamos a assistir à situação com desespero”. O político acrescenta que antes o país tinha acordado com a resposta ao ataque do Hamas.

O fim de semana em Israel tinha sido de protestos contra o governo de Netanyahu e de repressão aos milhares de pessoas nas ruas. Entretanto, vários grupos judeus por todo o mundo continuam a juntar a sua voz à indignação face aos massacres. É o caso da Voz Judia Pela Paz, um grupo norte-americano que tornou pública uma declaração em que se pode ler: “nunca esqueceremos as imagens que chegaram de Rafah esta noite. Seres humanos, incluindo bebés, queimados e desmembrados. Este genocídio tem de terminar já”. O grupo co-responsabiliza ainda o governo norte-americano pelo massacre de “mais de 36.000 palestinianos, o cerco e fome dos palestinianos em Gaza e a destruição em massa de infraestrutura e terra”.

Protesto em Lisboa

Várias iniciativas públicas estão entretanto a ser convocadas como forma de protesto. Em Lisboa, esta segunda-feira às 13 horas há um protesto em frente à embaixada de Israel em Lisboa. A Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina que convocou a ação, recorda que Israel lançou “mais de 60 ataques aéreos” a Rafah em 48 horas depois da ordem do tribunal internacional para parar os ataques.

O protesto é justificado porque “não podemos permanecer em silêncio. Precisamos de mostrar a nossa raiva e a nossa solidariedade com o povo palestino, de exigir justiça, um cessar-fogo imediato e permanente e a retirada total de Israel da Faixa de Gaza”, exigindo-se “uma Palestina livre e o fim da ocupação sionista”.