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Perigo de máquinas de jogos ilegais continuam a viciar crianças nos bairros de Luanda

Serviço de Investigação Criminal admite que o objectivo de acabar com as máquinas de jogo que envolvem moedas é um trabalho contínuo devido à sua proliferação em zonas suburbanas. Após mega-operação que apreendeu 510 máquinas, o vício do jogo está a ganhar às autoridades.

Dez meses depois da operação do Serviço de Investigação Criminal (SIC) que levou à apreensão de 510 máquinas de jogos, vulgo caça-níqueis, e 6 milhões Kz em moedas metálicas, o negócio ilegal continua nos bairros de Luanda. Há zonas onde a polícia continua a actuar e a apreender os aparelhos mas, segundo vários donos de estabelecimentos comerciais, os donos conseguem quase sempre resgatar as máquinas nas esquadras através do pagamento de “gasosas”, uma informação que o Expansão também confirmou junto de fontes policiais.

Apesar de o negócio ter diminuído consideravelmente em algumas zonas do centro da cidade de Luanda, onde há maior presença policial, em alguns bairros periféricos como o Malueca e o Grafanil Bar (ambos no município do Cazenga), ou os bairros Caop A B e C, e o Boa Fé (Viana), Golf e Calemba 2 (Kilamba Kiaxi), Madeira e Prenda (município de Luanda), o negócio ainda continua ao rubro e uma boa parte dos utilizadores são crianças, apurou o Expansão junto dos comerciantes que disponibilizam estas máquinas de jogos de origem chinesa e vietnamita nos seus estabelecimentos. Apesar de não serem os donos das máquinas, este é um negócio bastante lucrativo para os comerciantes.

“Aos sábados e domingos temos quase a mesma afluência de clientes, sendo crianças e adultos. Mas nos dias normais de semana são mais crianças que aderem aos jogos”, contou o dono de um bar no bairro Grafanil, solicitando anonimato. “Não sei onde as crianças tiram as moedas, mas tenho a certeza de que algumas tiram dinheiro aos pais. Principalmente as mais viciadas que estão quase todos os dias aqui. Não acredito que são os próprios pais que lhes dão moedas para virem jogar”, relatou a dona de uma cantina no Bairro Caop B, que aproveita estas máquinas de jogo para rentabilizar o seu estabelecimento comercial, mesmo sabendo que não é legal, tendo para isso realizado um contrato verbal com os proprietários das máquinas, cidadãos de origem chinesa e vietnamita.

Quando questionados sobre como lidam com a situação quando os aparelhos são apreendidos pela polícia, os proprietários dos espaços comerciais responderam que são os donos das máquinas que normalmente resolvem o problema com a polícia. “Quando a polícia leva as máquinas nós só comunicamos aos donos e eles vão à esquadra e resolvem. Normalmente pagam uma quantia que custa até 20 mil Kz para libertarem as máquinas e depois devolvem-nas a nós”, disse o dono de num estabelecimento comercial no Bairro Calemba 2, gestor de oito máquinas.

O Serviço de Investigação Criminal admite que não é do dia para a noite que vai acabar com estes negócios ilegais que proliferam nos bairros de Luanda. De acordo com o porta-voz do Serviço de Investigação Criminal, Manuel Halaiwa, a quantidade de máquinas que se espalharam pelas ruas, mercados e estabelecimentos comerciais em Luanda, exigem um trabalho contínuo por parte das autoridades, até porque estamos a falar de crimes como retenção de moeda e evasão fiscal.

“As pessoas também devem colaborar com as autoridades para acabarmos com este fenómeno porque já é preocupante quando envolve menores que se desviam do seu curso de formação para frequentarem estes lugares”, frisou.

Manuel Halaiwa alertou também aos proprietários e gestores de bares que evitem que crianças tenham acesso ao interior destes lugares, uma vez que é ali onde estão instalados estes aparelhos. “Era bom que os donos não permitissem a frequência de crianças nestes locais. Mas vamos continuar a fazer o nosso trabalho e ali onde encontrarmos estes aparelhos vamos recolhê-los e os respectivos valores serão, como sempre, revertidos para o Estado”, afirmou o responsável de comunicação do SIC.