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As “fronteiras do ódio” onde a humanidade é aniquilada

Por ocasião do Dia da Memória, no 79º aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau, o horror dos campos de concentração e extermínio criados pela ideologia do super-homem e o frágil poder dos prisioneiros para não serem considerados subumanos.

 

“Que a recordação e a condenação desse horrível extermínio de milhões de judeus e de pessoas de outras crenças, ocorrido no século passado, ajude todos a não esquecer que a lógica do ódio e da violência nunca pode ser justificada, pois nega a nossa própria humanidade.”

As palavras pronunciadas pelo Papa Francisco no passado dia 24 de janeiro durante a Audiência Geral podem ser sobrepostas às do escritor Primo Levi, sobrevivente do Holocausto, sobrevivente do inferno de Auschwitz. O mais famoso dos seus escritos traz um título significativo: “Se isto é um homem?”. Levi era perguntado com que direito um assassino poderia definir-se como um “homem”, dado que havia perdido a sua humanidade. Por isso os prisioneiros – como sublinhou Levi – mesmo sendo privados de todos os direitos, expostos a todos os insultos e condenados à morte certa, ainda tinham um poder e deviam defendê-lo com todas as suas forças: o poder de recusar-se a consentir com o que estava acontecendo. Os prisioneiros se recusaram a consentir com a humilhação, o abuso e a morte. Esta recusa em aceitar a ideologia imaginária de “super-homens” e “subumanos” era a marca distintiva de ser humano em um lugar desumano.

Os alemães criaram os campos de concentração de Auschwitz-Birkenau, Treblinka, Belzec, Sobibor, Majdanek, Stutthof e Kulmhof em território polonês por razões assustadoramente práticas. O maior número de judeus no mundo vivia precisamente em solo polonês, que estava inteiramente sob administração alemã. Segundo as estatísticas, em 1931, na Polônia, 3,1 milhões de cidadãos eram de origem judaica. Um grupo assim tão numeroso não precisava ser deportado para longe.

A pouco conhecida “Operação Reinhardt”

Em 20 de janeiro de 1942, uma conferência dos mais altos funcionários do Terceiro Reich foi realizada em Wannsee, perto de Berlim, presidida por Reinhard Heydrich. Naquela ocasião foi tomada a decisão de “resolver definitivamente a questão judaica” (Endlösung der Judenfrage). Na prática, isto significava o genocídio dos judeus em toda a Europa.

Na noite entre 16 e 17 de março de 1942, os nazistas, liquidando o gueto de Lublin, deram início à Operação “Reinhardt”. O seu objetivo era exterminar quase 2 milhões de judeus no Governatorato Geral (parte dos territórios poloneses ocupados pelos nazistas). A Operação, cujo quartel general ficava em Lublin, foi guiada por Odilo Globocnik, um dos mais cruéis algozes nazistas.

No âmbito da Operação “Reinhardt”, foram criados ou ampliados três campos de concentração em Bełżec, Sobibór e Treblinka, que eram “fábricas da morte”. As primeiras deportações de judeus para campos de extermínio como parte da Operação “Reinhardt” partiram do gueto de Lublin para o campo de extermínio de Belżec em 17 de março de 1942. O campo de extermínio de Sobibór iniciou suas operações em maio de 1942. A primeira deportação de judeus para o campo de extermínio de Treblinka começou em 22 de julho de 1942. Eram judeus do gueto de Varsóvia. Os judeus não só dos guetos da Polônia ocupada, mas também de outras partes da Europa, incluindo a Itália, foram deportados para os campos de extermínio. A Operação Reinhardt durou oficialmente até 3-4 de novembro de 1943. No tempo em que perdurou, os nazistas alemães exterminaram quase 2 milhões de judeus.

Três Pontífices visitaram Auschwitz-Birkenau. João Paulo II, como Papa, visitou este lugar em 7 de junho de 1979, mas já havia lá estado muitas vezes. Em Auschwitz sublinhou que “é necessário nesta ocasião, pensar com medo onde se encontram as fronteiras do ódio.” “Estamos num lugar no qual desejamos pensar que cada nação e cada indivíduo é nosso irmão”.

Bento XVI esteve lá em 2006 e confessou como esta visita foi “particularmente difícil e opressiva para um cristão, para um Papa que vem da Alemanha”. Referindo-se às lápides multilingues em homenagem às vítimas, as suas palavras foram: “Atrás destas lápides está o destino de incontáveis ​​​​seres humanos.

O Papa Francisco visitou Auschwitz-Birkenau em 29 de julho de 2016 e não disse uma palavra. Ficamos com a lembrança do seu testemunho de silêncio e de oração. No livro da memória de Auschwitz, o Papa escreveu palavras que podem tornar-se a nossa oração no Dia da Memória: “Senhor, tem piedade do teu povo! Senhor, perdoa tamanha crueldade”.