O Governo de Espanha solicitou uma reunião urgente dos ministros do Interior da União Europeia para discutir a crise migratória em Ceuta, após criticar a resposta de alguns Estados-membros, que classificou como “egoísta”.
O pedido surge depois de a Itália anunciar a suspensão temporária da aplicação do Acordo de Schengen nas suas fronteiras com Espanha, numa medida adotada na sequência do aumento da pressão migratória.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que o país está a ser “atacado” a partir do interior da União Europeia e garantiu que as autoridades espanholas restabeleceram o controlo total das fronteiras em Ceuta.
Segundo o Governo espanhol, pelo menos 67 pessoas morreram durante a tentativa de entrada em massa de migrantes provenientes de Marrocos no enclave espanhol situado no norte de África. Entretanto, milhares de migrantes permanecem na cidade autónoma, enquanto decorrem operações de controlo e assistência.
Para reforçar a segurança, Espanha mobilizou unidades das Forças Armadas para apoiar a polícia de fronteira na vigilância de Ceuta e na gestão da crise.
A situação também motivou reações de outros países europeus. O chanceler alemão Friedrich Merz defendeu que Marrocos readmita rapidamente os migrantes em situação irregular, sublinhando a necessidade de cooperação entre Rabat e a União Europeia para controlar os fluxos migratórios.
A crise em Ceuta volta a colocar a política migratória europeia no centro do debate, expondo divergências entre os Estados-membros sobre a gestão das fronteiras externas e a distribuição de responsabilidades perante o aumento da pressão migratória.

