Moçambique continua a posicionar-se como um mercado estratégico para novos investimentos, impulsionado pela disponibilidade de recursos naturais, potencial energético e oportunidades de industrialização. A avaliação é do CEO da Vulcan, Dr. Mukesh Kumar, que defende uma maior aposta em projectos capazes de transformar os recursos nacionais em valor económico.
Falando durante a XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), o gestor destacou que o país apresenta oportunidades em diferentes sectores, desde os recursos minerais ao turismo, passando pela energia e pela indústria transformadora.
“Em Moçambique existem muitas oportunidades para investir. Temos recursos minerais, temos potencial no turismo e outras áreas onde é possível desenvolver novos negócios. O Governo também está a trabalhar para apoiar novos investimentos e, como empresários, temos interesse em avançar com vários projectos”, afirmou.
Da mineração para uma estratégia integrada de negócios
Com operações ligadas à indústria mineira, a Vulcan pretende ampliar a sua presença em Moçambique através de uma estratégia de diversificação que inclui energia, logística e processamento industrial.
Segundo Mukesh Kumar, a empresa já está a desenvolver planos para entrar no sector energético, através de uma central com capacidade estimada de 300 megawatts, projecto que poderá contribuir para reforçar a disponibilidade de energia no país e apoiar outros sectores produtivos.
“Já entrámos na área da energia. Temos uma planta de energia de 300 megawatts e queremos que esta capacidade possa também beneficiar outros produtores”, explicou.
A empresa avalia igualmente investimentos na produção de cimento, utilizando recursos resultantes dos processos industriais, bem como projectos ligados ao processamento de ferro, aproveitando o potencial energético de Moçambique.
Energia e logística como pilares da industrialização
Para o CEO da Vulcan, o desenvolvimento de infra-estruturas, energia competitiva e sistemas logísticos eficientes são factores determinantes para aumentar a competitividade empresarial e atrair mais investimento privado.
Neste contexto, a empresa destaca o papel estratégico da logística, incluindo as infra-estruturas portuárias, com referência ao Porto de Nacala, como uma plataforma para apoiar novos projectos industriais e comerciais.
“Temos uma visão de longo prazo para Moçambique. Queremos utilizar os recursos disponíveis, incluindo o gás, para desenvolver processos industriais e criar mais valor dentro do país”, afirmou Mukesh Kumar.
O gestor revelou que o conjunto de projectos em análise pela Vulcan representa um potencial investimento de aproximadamente cinco mil milhões de dólares, abrangendo sectores como energia, transporte e indústria.
Parceria público-privada para acelerar investimentos
Segundo Mukesh Kumar, a concretização destes projectos dependerá de uma colaboração contínua entre o sector privado e o Governo, sobretudo na criação de condições favoráveis para investimentos de grande escala.
“Temos estado a dialogar com o Governo sobre estes projectos nas áreas de energia, transporte e indústria. Moçambique tem muitas oportunidades e precisamos continuar a trabalhar juntos para aproveitá-las”, sublinhou.
O CEO da Vulcan falava no painel “Infra-estruturas, Logística e Energia: Base da Competitividade Empresarial”, integrado na XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), que discutiu soluções para transformar investimentos em infra-estruturas em ganhos de produtividade, redução de custos e maior competitividade das empresas nacionais.
Sob o lema “Produzir, Transformar e Competir: Construindo uma Economia Forte e Resiliente”, a CASP 2026 reuniu empresários, investidores e decisores públicos para debater caminhos de crescimento económico e fortalecimento do sector privado em Moçambique.
O Dr. Kumar enfatizou a necessidade de utilizar os vastos recursos de gás natural para fortalecer a economia do país por meio da exportação de GNL (Gás Natural Liquefeito) ou para a industrialização e geração de empregos com a instalação de siderúrgicas, fábricas de fertilizantes e petroquímicas, em vez de subutilizá-los para a geração de energia elétrica, cujo retorno financeiro é de apenas 1/6 a 1/8, e Moçambique possui outras fontes confiáveis e acessíveis, como rejeitos de carvão, energia solar e hidrelétrica. Isso contribuirá para dois objetivos principais: garantir energia barata para todos e impulsionar a economia do país.

