Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira que o Irão tem entre “10 a 15 dias” para alcançar um acordo com Washington, advertindo que poderão ocorrer “coisas más” caso Teerão não responda às exigências norte-americanas.
As declarações foram feitas a bordo do Air Force One, pouco antes da descolagem da Base Conjunta Andrews, no estado de Maryland, num momento em que aumentam as tensões no Médio Oriente e um segundo porta-aviões norte-americano se aproxima da região.
“Temos de fazer um acordo significativo. Caso contrário, acontecem coisas más”, afirmou Trump, sublinhando que, ao longo dos anos, as negociações com o Irão têm sido complexas.
As declarações surgem num contexto de impasse nas conversações indiretas sobre o programa nuclear iraniano, que nas últimas semanas não registaram progressos visíveis. Paralelamente, o Irão realizou exercícios militares anuais em conjunto com a Rússia, sinalizando preparação para diferentes cenários caso as negociações falhem.
Teerão sustenta que não retomou o enriquecimento de urânio desde os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel no verão passado. Na ocasião, Trump declarou que as instalações nucleares iranianas tinham sido “obliteradas”, embora a extensão real dos danos permaneça incerta, já que o Irão limitou o acesso de inspetores internacionais.
Numa carta enviada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmou que o país não procura conflito, mas advertiu que qualquer agressão será respondida “de forma decisiva e proporcional”. Segundo o diplomata, bases e ativos norte-americanos na região poderão tornar-se alvos legítimos em caso de ataque.
No início da semana, o Irão conduziu exercícios com fogo real no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reforçaram a presença militar na região com o envio adicional de aviões de combate F-35, F-22 e F-16 para bases no Golfo Pérsico, elevando o nível de prontidão das forças norte-americanas.
A crescente tensão levou alguns países europeus a emitir alertas. O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, apelou aos cidadãos polacos para abandonarem o Irão, alertando que a possibilidade de evacuação poderá tornar-se inviável em poucas horas ou dias. A Alemanha também anunciou a retirada de parte do seu pessoal não essencial de uma base no norte do Iraque, enquanto mantém tropas no campo multinacional em Erbil para apoio às forças iraquianas.
No plano interno, o Irão enfrenta igualmente manifestações e cerimónias em memória de manifestantes mortos, realizadas 40 dias após os incidentes com forças de segurança. Em alguns desses eventos foram ouvidos cânticos contra o governo, apesar das advertências oficiais.
Embora o Irão insista que o seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, os Estados Unidos e vários aliados mantêm suspeitas de que o objetivo final seja o desenvolvimento de armas nucleares.
O cenário atual, marcado por movimentações militares, trocas de advertências e negociações frágeis, alimenta receios de uma escalada que poderá ter impacto significativo na estabilidade do Médio Oriente.

