Maputo vive uma situação crítica devido às chuvas intensas que atingem a cidade há mais de uma semana, provocando cheias em vários bairros, sobretudo nas zonas baixas. Pelo menos 1.040 famílias foram afetadas e muitas delas encontram-se acolhidas em centros improvisados, onde faltam alimentos, mantas e materiais básicos de higiene.
Segundo dados das autoridades locais, cerca de 2.700 pessoas estão distribuídas por 23 centros de acomodação, instalados maioritariamente em igrejas e escolas. As condições nesses espaços são consideradas precárias pelos deslocados. Salas com paredes húmidas, janelas danificadas e infiltrações dificultam o abrigo, enquanto famílias dormem no chão ou sobre carteiras escolares, expostas a mosquitos e ao frio noturno.
Moradores afetados relatam a ausência de apoio suficiente. Muitos dependem de recursos próprios para cozinhar ou comprar comida, enquanto mulheres e crianças improvisam camas com capulanas. Há também casos de famílias que abandonaram as suas casas em situações extremas, atravessando águas que chegavam à altura da cintura, sem tempo para recolher bens essenciais.
A vereadora da Mulher, Assistência Social e Família do Conselho Municipal de Maputo, Anabela Inguane, reconheceu que as condições nos centros não são ideais. A responsável explicou que a assistência está a ser feita em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), incluindo a distribuição de alimentos, produtos de higiene e limpeza, esteiras e mantas, apesar das limitações financeiras enfrentadas pelo Governo.
As autoridades afirmam que os centros têm recebido abastecimento mínimo para responder às necessidades imediatas, graças ao envolvimento do Governo, organizações humanitárias e cidadãos solidários. No entanto, persistem dificuldades, agravadas pelo facto de algumas famílias recusarem abandonar as zonas inundadas por receio de assaltos às suas residências. Em situações de risco iminente, a edilidade admite recorrer à retirada forçada, priorizando a segurança e a saúde das populações.
Além do impacto humano, as chuvas intensas têm condicionado a circulação de pessoas e mercadorias em várias zonas do país e causaram, no último domingo, o descarrilamento de um comboio de transporte, evidenciando a dimensão dos prejuízos provocados pelas intempéries em Moçambique.

