A instabilidade política e social no Irão atingiu um novo patamar de gravidade, com o número de vítimas mortais associadas às manifestações contra o regime a ultrapassar as 2.500. Dados divulgados por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos indicam que pelo menos 2.571 pessoas perderam a vida desde o início dos protestos.
Segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, a maioria das vítimas — cerca de 2.403 — eram manifestantes, enquanto 147 tinham ligações ao Governo. Entre os mortos contam-se ainda 12 crianças e nove civis que não participavam diretamente nas manifestações. Para a vice-diretora da ONG, Skylar Thompson, o número é “extraordinariamente elevado” e demonstra a dimensão da repressão em curso.
O mesmo organismo refere que o total de detidos já ultrapassa os 18.100, muitos dos quais terão sido presos de forma arbitrária e mantidos em locais de detenção não identificados. A ONG alerta igualmente para um aumento significativo de confissões forçadas, tendo documentado 97 casos num curto espaço de tempo, situação considerada sem precedentes e altamente preocupante.
A televisão estatal iraniana reconheceu recentemente, pela primeira vez, um elevado número de mortes, referindo-se às vítimas como “mártires”, embora sem avançar números concretos. Já os meios de comunicação oficiais afirmam que pelo menos 121 membros das forças militares, policiais, de segurança e do sistema judicial morreram durante os distúrbios.
A avaliação independente da situação tem sido dificultada por restrições severas à internet e às comunicações no país. Organizações de direitos humanos relatam um bloqueio quase total das redes internacionais e domésticas, incluindo serviços móveis e linhas fixas, o que limita drasticamente o fluxo de informação para o exterior.
No plano internacional, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o cancelamento das negociações com Teerão e declarou que “a ajuda está a caminho” para os cidadãos iranianos. Em publicações nas redes sociais, apelou à continuidade dos protestos e incentivou os manifestantes a assumirem o controlo das instituições. Questionado sobre a possibilidade de ações militares, Trump evitou dar detalhes, afirmando apenas que “todas as opções estão em aberto”.
O Governo iraniano reagiu acusando Washington de tentar criar um pretexto para uma intervenção militar, alegando que a política norte-americana em relação ao Irão assenta na mudança de regime por meio de sanções, ameaças e instabilidade interna. Trump respondeu com novas declarações de tom duro, garantindo que não se sente intimidado.
Os protestos no Irão tiveram início a 28 de dezembro, em Teerão, impulsionados por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial e pela inflação elevada. Desde então, as manifestações espalharam-se por mais de uma centena de cidades, transformando-se numa das maiores vagas de contestação popular das últimas décadas no país.

