O Governo de Espanha decidiu impedir a utilização do seu espaço aéreo por aeronaves militares norte-americanas associadas ao conflito com o Irão, alargando assim a restrição anteriormente aplicada às bases militares de Rota, em Cádiz, e Morón de la Frontera, em Sevilha.
A decisão foi confirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, que explicou que a medida pretende evitar qualquer ação que possa contribuir para a escalada da guerra. Apesar do veto, garantiu que continuam a existir canais de comunicação com Estados Unidos e que as relações diplomáticas permanecem estáveis.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, confirmou que a proibição já tinha sido comunicada às forças norte-americanas. Segundo a responsável, nem as bases militares em território espanhol nem o espaço aéreo do país poderão ser utilizados para operações relacionadas com a guerra.
O executivo liderado por Pedro Sánchez tem sido uma das vozes mais críticas no Ocidente em relação à ofensiva militar contra o Irão, classificando o conflito como ilegal e injusto. A escalada militar tem provocado impactos globais, incluindo a subida dos preços da energia após perturbações no transporte de petróleo através do Estreito de Ormuz.
A Casa Branca reagiu desvalorizando o alcance da decisão espanhola, afirmando que a operação militar norte-americana não depende do apoio de Espanha. Autoridades norte-americanas indicaram que as forças armadas continuam a cumprir os objetivos da chamada Operação Fúria Épica sem necessidade de colaboração adicional.
A resposta surge num contexto de crescente tensão diplomática entre Madrid e Washington, interpretada por responsáveis norte-americanos como um gesto político de distanciamento por parte do Governo espanhol.
O episódio intensificou o debate sobre o papel dos aliados europeus na crise do Médio Oriente. A administração do presidente Donald Trump tem criticado o que considera ser falta de compromisso de alguns parceiros europeus, colocando Espanha entre os países visados.
A decisão espanhola marca mais um capítulo de fricção diplomática numa fase particularmente sensível da política internacional, com a guerra a prolongar-se para além do prazo inicialmente previsto por Washington.

