A missão de paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo alertou para a expansão das hostilidades para novas regiões do país, indicando que os confrontos já ultrapassaram os tradicionais focos de violência no leste.
Em briefing ao Conselho de Segurança, a vice-chefe da missão MONUSCO, Vivian van de Perre, informou que os confrontos estão a atingir a província de Tshopo, distante das habituais zonas de conflito nos Kivus Norte e Sul.
Segundo a responsável, os combates recentes têm sido marcados pelo uso crescente de drones ofensivos e por interferências sistemáticas em sinais de GPS, especialmente em áreas urbanas. Incidentes terão afetado o Aeroporto de Bangoka, em Kisangani, bem como zonas da cidade de Goma, levantando preocupações quanto à segurança de civis e infraestruturas críticas.
A missão da ONU alertou ainda que as restrições de acesso estão a dificultar a monitorização de abusos. Jornalistas e defensores de direitos humanos em áreas controladas pelo grupo rebelde Movimento 23 de Março enfrentam intimidação e detenções arbitrárias.
O agravamento da insegurança deverá ter impacto humanitário significativo: estima-se que cerca de 26,6 milhões de pessoas possam enfrentar insegurança alimentar este ano, o equivalente a aproximadamente um quarto da população congolesa.
Durante a sessão, o embaixador congolês Zénon Ngay Mukongo acusou as ofensivas do M23 de contarem com o apoio das Forças de Defesa de Ruanda, classificando a situação como uma violação grave da soberania e da integridade territorial do país.

