Os preços dos combustíveis em Portugal deverão registar um novo aumento na próxima semana, com subidas previstas tanto no gasóleo como na gasolina. As estimativas apontam para um acréscimo próximo dos dez cêntimos por litro, refletindo a pressão exercida pelo mercado internacional do petróleo.
Segundo dados avançados pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) e por fontes do setor energético, o gasóleo poderá aumentar cerca de 10,5 cêntimos por litro, enquanto a gasolina deverá subir aproximadamente 11 cêntimos. Face a esta evolução, o Governo prepara-se para publicar uma nova portaria que deverá atualizar o desconto temporário e extraordinário aplicado ao Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), incluindo pela primeira vez um apoio específico para a gasolina e reforçando o apoio ao diesel.
Ainda assim, os valores finais podem sofrer ajustes, uma vez que dependem do fecho das cotações internacionais do petróleo Brent e das variações do mercado cambial. Até agora, o aumento acumulado do gasóleo já ronda os 28,7 cêntimos, enquanto a gasolina soma cerca de 17,3 cêntimos de subida.
Na semana em curso, o preço do diesel registou um forte aumento de 18,7 cêntimos por litro. Contudo, este valor foi parcialmente mitigado por um desconto temporário de 3,55 cêntimos no ISP. Sem esse apoio fiscal, o aumento teria ultrapassado os 23 cêntimos por litro. Já a gasolina subiu cerca de 7,3 cêntimos, sem beneficiar de qualquer medida de compensação, uma vez que o Governo tinha definido um limite mínimo de aumento de dez cêntimos para ativar o apoio.
A escalada dos preços dos combustíveis está fortemente ligada à instabilidade geopolítica no Médio Oriente. O barril de petróleo Brent, referência para o mercado europeu, ultrapassou esta semana os 100 dólares pela primeira vez desde 2022 e segue com uma valorização semanal próxima de 9%, situando-se acima dos 101 dólares.
Os mercados continuam atentos ao agravamento das tensões com o Irão e às consequências do encerramento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo. Estima-se que cerca de 20% da produção mundial de crude passe por este estreito, pelo que eventuais interrupções no fluxo de navios-petroleiros poderão provocar novas pressões nos preços.
Apesar de várias tentativas internacionais para estabilizar o mercado — incluindo a libertação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas anunciada pela Agência Internacional de Energia e medidas dos Estados Unidos para facilitar a venda de petróleo russo — os analistas alertam que os preços poderão continuar a subir enquanto persistirem as tensões e as limitações na oferta global.

