Os mercados financeiros internacionais registaram movimentos significativos nesta terça-feira, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra com o Irão poderá terminar “muito em breve”. As declarações tiveram impacto imediato em vários ativos, pressionando o dólar, impulsionando o ouro e provocando quedas nas taxas de juro das dívidas soberanas na Europa.
Na Zona Euro, os juros das obrigações do Tesouro recuaram de forma generalizada. A descida reflete a mudança de expectativas dos investidores quanto à política monetária, numa altura em que a possibilidade de uma escalada prolongada no Médio Oriente parecia apontar para uma nova crise energética e para taxas de juro mais elevadas.
Com o cenário de um eventual fim do conflito, os mercados passaram a considerar menos provável um novo aumento das taxas por parte do Banco Central Europeu. Como resultado, as obrigações alemãs a dez anos — referência para a região — registaram uma ligeira queda na rendibilidade, enquanto títulos franceses, italianos, portugueses e espanhóis apresentaram recuos mais expressivos.
Também fora da Zona Euro a tendência foi semelhante. No Reino Unido, as “gilts” a dez anos registaram uma queda acentuada nas yields, com investidores a admitirem que o Banco de Inglaterra possa voltar a adotar uma política monetária mais flexível.
No mercado cambial, o dólar perdeu força e caminha para a terceira sessão consecutiva de perdas. O recuo ocorre após dias de valorização da moeda norte-americana, que tinha beneficiado da procura por ativos considerados seguros desde o início das hostilidades no Médio Oriente. Analistas indicam que um eventual abrandamento do conflito poderá levar os investidores a rever as previsões de política monetária da Reserva Federal dos Estados Unidos.
Enquanto isso, o ouro recuperou das perdas registadas na sessão anterior e voltou a subir, reforçando o seu papel tradicional de ativo de refúgio em períodos de incerteza geopolítica.
Nos mercados de energia, os preços do petróleo e do gás natural registaram fortes quedas, depois de dias de alta provocados pelo receio de interrupções no fornecimento global, sobretudo devido às tensões no Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo.
Apesar do alívio registado nos mercados, analistas alertam que o sentimento dos investidores continua frágil. A evolução do conflito no Médio Oriente e eventuais riscos para o comércio global de energia continuam a ser fatores determinantes para a estabilidade financeira nas próximas semanas.

