Kiev – A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegurou esta terça-feira que o empréstimo de 90 mil milhões de euros destinado à Ucrânia será concretizado “de uma forma ou de outra”, apesar do veto imposto pela Hungria.
A declaração foi feita em Kiev, onde Von der Leyen participou nas cerimónias que assinalam quatro anos desde a invasão em grande escala lançada pela Rússia. Ao seu lado estiveram o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy.
“Esta palavra não pode ser quebrada. Vamos cumprir o empréstimo de uma forma ou de outra”, afirmou a líder do executivo comunitário, sublinhando que a União dispõe de diferentes instrumentos jurídicos para ultrapassar o bloqueio.
António Costa dirigiu críticas diretas ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, acusando-o de violar o princípio da cooperação leal ao bloquear uma decisão acordada pelos 27 líderes europeus em dezembro.
“O Conselho Europeu decide em conjunto e só o próprio Conselho pode alterar uma decisão tomada”, declarou Costa, apelando a Budapeste para que coopere na implementação do pacote financeiro.
O empréstimo pretende cobrir necessidades militares e orçamentais da Ucrânia durante 2026 e 2027, numa altura em que os Estados Unidos suspenderam totalmente a assistência a Kiev sob a administração de Donald Trump.
Além do financiamento, os Estados-membros estavam próximos de aprovar o 20.º pacote de sanções contra Moscovo, incluindo medidas contra a chamada “frota sombra” de petroleiros russos. Também esse dossiê foi bloqueado por Budapeste.
Orbán justificou o veto com acusações de interferência por parte da Ucrânia e com a interrupção das entregas de petróleo através do oleoduto Druzhba, infraestrutura da era soviética recentemente atingida num ataque com drones atribuído à Rússia.
Zelenskyy rejeitou as acusações, afirmando que Kiev não é responsável pela destruição do oleoduto e sugerindo que cabe a Orbán dialogar com o presidente russo, Vladimir Putin, para alcançar um eventual “cessar-fogo energético”.
“Se Orbán quer bloquear apoio financeiro, que o faça para a Rússia, não para a Ucrânia”, declarou o líder ucraniano.
No plano diplomático, o presidente francês, Emmanuel Macron, apelou aos parceiros da chamada “Coligação de Vontades” para ultrapassarem reservas quanto a futuras garantias de segurança a Kiev.
Também o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu maior pressão sobre Moscovo e reforço do apoio militar à Ucrânia, incluindo sistemas de defesa aérea Patriot e assistência para restaurar infraestruturas energéticas, fortemente atingidas durante o inverno.
Os líderes do G7 divulgaram uma declaração conjunta reiterando “apoio inabalável” à Ucrânia e defendendo que apenas negociações de boa-fé entre Kiev e Moscovo poderão conduzir a um acordo de paz.
O comunicado sublinha ainda o compromisso com a segurança nuclear, incluindo esforços para a reabilitação da estrutura de contenção de Chernobyl, e apela ao regresso imediato e seguro das crianças ucranianas levadas para território russo.
Apesar de o nome de Donald Trump constar entre os signatários, até ao momento não houve declarações públicas adicionais da Casa Branca a assinalar o quarto aniversário da invasão.
A visita a Kiev procurou demonstrar unidade europeia num momento crítico do conflito. No entanto, o veto húngaro evidencia as divisões internas que continuam a marcar a resposta da União Europeia à guerra na Ucrânia.

