O director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC), Alves da Rocha, afirmou em Luanda que Angola enfrenta limitações em matéria de dados demográficos actualizados, sustentando que, para efeitos de investigação científica, o último recenseamento considerado plenamente fiável continua a ser o realizado em 2014.
A posição foi manifestada durante a sessão de apresentação do estudo “Cenários de Crescimento da Economia Angolana até 2030 e Impactos sobre o Emprego e a Pobreza”, promovido recentemente pela instituição.
Segundo o responsável, as dificuldades associadas ao Instituto Nacional de Estatística (INE) no processo do Censo 2024 comprometem a utilização técnica dos dados, sobretudo na medição de indicadores essenciais como as taxas de emprego e desemprego. Para o investigador, a inexistência de uma base populacional “segura e estável” cria constrangimentos à formulação de análises económicas rigorosas.
Alves da Rocha lamentou ainda aquilo que considera ser uma fraca valorização da produção científica nacional. Apesar do investimento técnico e académico realizado pelos centros de investigação, defende que, na definição de políticas públicas, continuam a prevalecer pareceres de entidades internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
De acordo com os resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação 2024, divulgados pelo INE, Angola conta actualmente com 36.604.681 habitantes.
A população é composta por 17.931.985 homens (49%) e 18.672.696 mulheres (51%), fixando o índice de masculinidade em 96 homens por cada 100 mulheres.
Comparativamente ao Censo 2014, que registou 25.789.024 habitantes, o país observou um crescimento populacional na ordem dos 3,5% ao longo do período intercensitário.
65,5% da população (23.991.388 pessoas) reside em áreas urbanas.
34,5% (12.613.293 pessoas) vive em zonas rurais.
A província de Luanda mantém-se como a mais populosa, com 8.816.297 habitantes, enquanto o Cuando surge como a menos populosa, com 138.770 habitantes.
No que diz respeito à densidade populacional, o território nacional — com 1.246.700 quilómetros quadrados — apresenta uma média de **29,4 habitantes por quilómetro quadrado**.
Luanda destaca-se como a província mais densamente povoada, com 5.349,3 habitantes/km², ao passo que o Cuando regista a menor densidade, com 1,3 habitantes/km²
Angola continua a apresentar uma população maioritariamente jovem, com **idade média de 23 anos** — 23 anos nas áreas urbanas e 22 nas zonas rurais.
O país contabiliza ainda **9.110.616 agregados familiares**, sendo a maioria chefiada por homens. A faixa etária predominante entre os chefes de família situa-se entre os **25 e 34 anos**, representando 27% do total.
As declarações do director do CEIC reacendem o debate sobre a fiabilidade e utilização dos dados estatísticos no país, num contexto em que a consistência da informação demográfica é considerada fundamental para a definição de políticas públicas eficazes nas áreas do emprego, combate à pobreza e planeamento económico.

