Um jornalista do canal privado moçambicano STV foi alvo de um ataque armado na noite de quarta-feira, na cidade de Chimoio, província de Manica. Trata-se de Carlitos Cadangue, correspondente da estação naquela região do país.
De acordo com o relato do próprio jornalista, o atentado ocorreu quando regressava a casa. A sua viatura foi atingida por vários disparos efetuados por indivíduos desconhecidos, a poucos metros da sua residência, no bairro de Trangapasse, nos arredores de Chimoio.
Cadangue contou que seguia ao volante quando se apercebeu de uma viatura de cor preta à sua frente, aparentemente uma Ford Ranger, cuja matrícula não conseguiu identificar por completo. Pouco depois, os ocupantes do veículo abriram fogo contra o carro do jornalista. Apesar da violência do ataque, ele e o filho, que o acompanhava, saíram ilesos.
Segundo o jornalista, os suspeitos estavam encapuzados, vestiam uniformes semelhantes aos usados pelas forças policiais e empunhavam armas de fogo. Após os disparos, os atacantes colocaram-se em fuga em alta velocidade. Cadangue acredita que os agressores tenham pensado que ele tinha sido atingido mortalmente.
As motivações do atentado ainda não são conhecidas. No entanto, o jornalista revelou que vinha recebendo alertas de que estaria a ser procurado por causa de reportagens ligadas à atividade mineira na província de Manica.
O caso gerou forte reação no meio político e jornalístico. O político Venâncio Mondlane classificou o incidente como um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito à informação, defendendo que a violência não irá silenciar os profissionais da comunicação social.
O Instituto de Media da África Austral (MISA-Moçambique) exigiu um esclarecimento urgente do caso e apelou às autoridades para garantirem a segurança do jornalista. Já o Sindicato Nacional de Jornalistas considerou inadmissível a continuação de atos de intimidação e violência contra profissionais da imprensa, defendendo uma investigação rápida e transparente.
Em comunicado, a STV manifestou indignação face ao sucedido, classificando o ataque como uma tentativa criminosa de intimidar a comunicação social e o exercício do jornalismo em Moçambique.

