O Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, defendeu hoje, em Luanda, o reforço da coordenação estratégica e operacional do Corredor do Lobito, considerando-o um instrumento essencial para a integração regional, a transformação económica e a prosperidade partilhada entre Angola, a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia.
Ao discursar na Reunião de Alto Nível sobre o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito, conhecida como “Engine Room”, o Chefe de Estado afirmou que o encontro representa um passo decisivo de consolidação do projecto, ao elevar a cooperação entre os três países e os parceiros de desenvolvimento para um nível mais operativo, com harmonização regulamentar, definição de metas, responsabilidades claras e mecanismos regulares de acompanhamento.
O Presidente sublinhou que o Corredor do Lobito tem vindo a afirmar-se como um eixo estratégico de ligação entre o Atlântico e as zonas produtivas do interior da região, com elevado potencial para dinamizar o comércio, a logística, a produção e a transformação económica. Segundo João Lourenço, o corredor poderá tornar-se uma plataforma estruturante para o desenvolvimento regional e para a implementação efectiva da Zona de Livre Comércio Continental Africana, promovendo o comércio intra-africano e beneficiando directamente as economias e populações envolvidas.
O Chefe de Estado destacou ainda a importância da presença, na reunião, de altos representantes governamentais de Angola, da RDC e da Zâmbia, bem como de parceiros multilaterais e bilaterais, com especial destaque para o Banco Mundial. Para o Presidente, esta participação demonstra uma compreensão comum de que o sucesso do Corredor do Lobito depende de um alinhamento estratégico claro e de uma coordenação eficaz entre todos os intervenientes.
No seu pronunciamento, João Lourenço salientou o papel central dos parceiros de desenvolvimento na mobilização de investimentos catalisadores, no apoio às reformas estruturais e na harmonização normativa, factores considerados essenciais para reforçar a credibilidade do corredor, reduzir riscos e atrair capital privado. Neste contexto, explicou que o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito não visa criar novas estruturas burocráticas, mas sim assegurar a articulação eficaz entre projectos, financiamentos e reformas, evitando duplicações e fragmentações.
O Presidente enfatizou que o Corredor do Lobito deve ser encarado como um verdadeiro motor de transformação económica, indo além das infra-estruturas de transporte. Entre as prioridades apontadas estão o desenvolvimento do agronegócio, a promoção da industrialização, o fortalecimento das cadeias de valor regionais e a criação de empregos dignos, com especial atenção para os jovens e as mulheres, de modo a garantir melhorias concretas na qualidade de vida das populações abrangidas.

Chefe de Estado angolano sublinha importância do Corredor do Lobito para a prosperidade partilhada entre Angola, RDC e Zâmbia
João Lourenço reiterou também a necessidade de assegurar a plena reabilitação e interligação das infra-estruturas ferroviárias, rodoviárias e energéticas que constituem a espinha dorsal do corredor. Destacou, em particular, a importância da reabilitação da componente ferroviária na RDC, da concretização das ligações ferroviárias e rodoviárias à Zâmbia e da interligação da rede de transporte de energia de Angola aos países vizinhos.
No domínio do financiamento, o Presidente assinalou como marco relevante a assinatura, em 17 de Dezembro de 2025, de um financiamento no valor de 753 milhões de dólares para a Lobito Atlantic Railway (LAR), incluindo 553 milhões de dólares da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos da América (DFC) e 200 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento da África do Sul (DBSA). Segundo o Chefe de Estado, este passo confirma a viabilidade, a credibilidade e a bancabilidade do projecto, criando um efeito de demonstração para novos investidores e reforçando a responsabilidade colectiva na execução eficaz das obras e reformas.
O Presidente da República defendeu, por fim, que as intenções em torno do Corredor do Lobito devem traduzir-se em decisões operacionais concretas, com prioridades bem definidas, roteiros claros, responsabilidades estabelecidas e mecanismos de monitorização capazes de garantir resultados mensuráveis e duradouros.
Reafirmando o compromisso de Angola com a cooperação regional, a liderança responsável, a transparência e o sentido de urgência, João Lourenço sublinhou que o verdadeiro sucesso do Corredor do Lobito será medido pelo impacto real na vida das pessoas, nomeadamente na criação de empregos, no aumento do rendimento das famílias, no surgimento de novas oportunidades para as comunidades e no fortalecimento das economias da região.
Com estas declarações, o Presidente da República declarou oficialmente aberta a Reunião de Alto Nível sobre o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito.

