As cheias que afetam o sul de Moçambique continuam a provocar elevados prejuízos humanos e materiais, com destaque para a província de Gaza, onde a situação permanece crítica. De acordo com dados oficiais, cerca de 81 mil pessoas procuraram abrigo em centros de acomodação apenas nesta província, enquanto a normalidade ainda parece distante para as comunidades mais afetadas.
Há quase um mês que extensas áreas de Gaza permanecem submersas, num cenário descrito por autoridades locais como o mais grave de que há registo. Milhares de habitações foram total ou parcialmente destruídas, obrigando famílias inteiras a refugiarem-se em escolas e outros espaços improvisados.
Nos centros de acolhimento, os desafios são constantes. Rostalina Cuamba, deslocada do povoado de Muianga para Hokwe, no distrito de Chókwé, relata dificuldades no acesso a bens essenciais. Embora receba refeições, afirma que a escassez de água potável e a falta de condições adequadas persistem. Segundo conta, muitas famílias já regressaram às suas zonas de origem, mas ela permanece no abrigo por não haver ainda condições mínimas na sua casa. A vítima pede apoio em tendas para quando for possível regressar.
Outra deslocada, Sortinha Paulo, oriunda do povoado de Marambajane, também manifesta preocupação com a insuficiência da assistência. Sem alternativas, pondera voltar para casa, apesar de reconhecer que as residências continuam inundadas. Para ela, a falta de espaço e de abrigos adequados nos centros de acomodação agrava a situação das famílias afetadas.
As cheias provocaram igualmente prejuízos significativos na produção agrícola e nas infraestruturas sociais. Estima-se que cerca de 175 mil hectares de culturas tenham sido perdidos, além da destruição de salas de aula, unidades sanitárias e sistemas de abastecimento de água.
Cinco distritos do norte da província continuam isolados devido ao corte de estradas, o que dificulta a chegada da ajuda humanitária. A governadora de Gaza, Margarida Mapandzene Chongo, classificou como crítica a situação nos distritos de Chigubo e Massangena, explicando que os danos nas vias de acesso e a persistência das águas impedem a circulação segura.
Segundo a governante, várias estradas permanecem intransitáveis, incluindo troços na cidade de Chókwé e em Caniçado, onde a água ainda transborda sobre a via. Apesar dos constrangimentos, garantiu que estão em curso trabalhos para restabelecer a circulação.
As autoridades provinciais apelam à população para que não regresse às zonas afetadas enquanto não estiverem garantidas condições de segurança. Na cidade de Xai-Xai, embora o último corte na Estrada Nacional Número 1 tenha sido reparado, o tráfego continua suspenso. Atualmente, a ligação rodoviária faz-se por vias alternativas que atravessam vários distritos da província, num percurso superior a cem quilómetros.

