Um ano após regressar à Casa Branca, Donald Trump volta a colocar os Estados Unidos no centro das atenções globais. Empossado a 20 de janeiro de 2025 como 47.º Presidente norte-americano, Trump celebrou esta terça-feira o primeiro aniversário do seu segundo mandato, num contexto marcado por decisões económicas controversas, tensões geopolíticas renovadas e uma relação instável com aliados e rivais.
No discurso de tomada de posse, Trump prometeu inaugurar uma “era de ouro da América”, assente no reforço do poder económico, no protecionismo comercial e numa política externa mais assertiva. Ao longo dos últimos 12 meses, a sua atuação tem confirmado grande parte dessa agenda, embora a distância entre a retórica e a execução tenha gerado incerteza dentro e fora dos Estados Unidos.
Um dos pilares deste novo mandato tem sido a política tarifária. A ameaça e, em alguns casos, a imposição de tarifas sobre parceiros estratégicos reacenderam disputas comerciais e provocaram respostas cautelosas de várias economias. A imprevisibilidade das decisões tem afetado cadeias de abastecimento, mercados financeiros e relações diplomáticas, obrigando governos e empresas a ajustarem estratégias num ambiente de maior volatilidade.
No plano monetário, o dólar manteve-se como peça central da estratégia económica norte-americana. As mensagens contraditórias da administração Trump sobre política comercial, dívida e relações externas contribuíram para oscilações cambiais e para uma maior pressão sobre economias emergentes e parceiros dependentes da moeda norte-americana.
A política externa voltou a assumir um tom unilateral. As relações com a Europa atravessaram momentos de tensão, enquanto a abordagem em relação à Rússia, à China e ao Médio Oriente tem alternado entre sinais de confronto e tentativas pontuais de negociação direta. Esta postura tem alimentado dúvidas sobre a previsibilidade dos Estados Unidos enquanto aliado e sobre o papel do país na ordem internacional.
Internamente, Trump chega a este primeiro aniversário com níveis de popularidade abaixo do desejado, numa altura em que se aproxima o primeiro teste eleitoral desde que reassumiu a presidência: as eleições intercalares, previstas dentro de menos de dez meses. A divisão política mantém-se acentuada, com críticas à condução da economia, à política externa e ao estilo de governação.
Apesar disso, a Casa Branca insiste que os resultados acabarão por validar a estratégia adotada. Para apoiantes, Trump voltou a colocar os interesses americanos em primeiro lugar; para críticos, o Presidente está a contribuir para um mundo mais fragmentado e imprevisível.
Um ano depois, o balanço de Trump 2.0 revela um mandato que já deixou marca: pelas tarifas, pelo impacto no dólar e pela forma como voltou a redesenhar as dinâmicas geopolíticas globais. O verdadeiro alcance dessas mudanças deverá tornar-se mais claro à medida que o calendário eleitoral se aproxima e as consequências das decisões tomadas começam a pesar de forma mais concreta na economia e na política internacional.

