Rio de Janeiro – Faleceu no sábado, 10 de janeiro de 2026, aos 92 anos, o escritor e dramaturgo Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, um dos nomes mais influentes da história da televisão brasileira. A informação foi divulgada pela produtora Boa Palavra, dirigida por Júlia Almeida, filha do autor. A causa da morte não foi tornada pública.
Manoel Carlos encontrava-se internado no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, onde estava a ser acompanhado devido à Doença de Parkinson. Em comunicado, a família confirmou o óbito e solicitou privacidade neste período de luto, informando que o velório será reservado apenas a familiares e amigos próximos.
Conhecido popularmente como Maneco, iniciou a sua trajectória artística ainda na adolescência, aos 17 anos, como actor na extinta TV Tupi. A partir de 1952, passou a dedicar-se à escrita para televisão, colaborando com várias emissoras até integrar a TV Globo, em 1972, onde consolidou a sua carreira e se tornou um dos mais consagrados autores da dramaturgia nacional.
A sua estreia como novelista na Globo ocorreu em 1978, com “Maria Maria”. No entanto, foi a partir da década de 1980 que Manoel Carlos construiu a identidade que o tornaria inconfundível: histórias centradas em personagens femininas fortes, conhecidas como as “Helenas”, figuras marcadas por profundidade psicológica, contradições humanas e forte carga emocional.
Grande parte das suas novelas teve como cenário o bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, e abordou temas como relações familiares, conflitos éticos, amor, perda e redenção. Em 2014, numa entrevista televisiva, o autor descreveu as suas protagonistas como mulheres que conciliam abnegação e vaidade, justiça e imperfeição, capazes de defender os filhos mesmo diante de dilemas morais complexos.
A primeira Helena criada por Manoel Carlos foi interpretada por Lílian Lemmertz, na novela “Baila Comigo” (1981). O arquétipo repetiu-se em várias obras, com destaque para “Por Amor” (1998), protagonizada por Regina Duarte, cuja personagem se tornou uma das mais marcantes da teledramaturgia brasileira. A actriz também viveu Helenas em “História de Amor” (1995) e “Páginas da Vida” (2006).
Afastado da televisão desde 2014, Manoel Carlos vivia de forma reservada. Deixa duas filhas, Júlia Almeida, actriz, e Maria Carolina, roteirista.
Reconhecido pela sensibilidade narrativa e pelo retrato intimista das relações humanas, Manoel Carlos deixa uma obra que marcou gerações e ocupa um lugar definitivo na história da televisão brasileira.

